PF retoma depoimentos no STF sobre fraudes bilionárias dos bancos Master e BRB

Oitivas miram o esquema de carteiras falsas e a engrenagem financeira que transferiu prejuízos bilionários ao setor público e ao Fundo Garantidor de Crédito

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A Polícia Federal retomou nesta segunda-feira (26) os depoimentos do inquérito da Operação Compliance Zero, que investiga um amplo esquema de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e operações com o Banco de Brasília (BRB). 

O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) e integra o conjunto de apurações que já levaram à liquidação extrajudicial da instituição controlada por Daniel Vorcaro.

Nesta fase, a PF ouve oito investigados ao longo de dois dias, entre ex-dirigentes do BRB, executivos e sócios do conglomerado Master. 

Os depoimentos fazem parte do aprofundamento da investigação conduzida pela Polícia Federal, com base em provas reunidas nas duas etapas da operação, deflagradas em novembro de 2025 e janeiro de 2026.

O foco da apuração está na venda de carteiras de crédito consideradas “insubsistentes” do Banco Master ao BRB, em operações que somam mais de R$ 12 bilhões. 

A investigação aponta indícios de crimes como gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa, envolvendo a tentativa de transferência de ativos problemáticos para uma instituição financeira estatal.

Nesta segunda-feira, prestam depoimento Dário Oswaldo Garcia Junior, ex-diretor de Finanças e Controladoria do BRB; André Felipe de Oliveira Seixas Maia, diretor de empresa investigada; Henrique Souza e Silva Peretto, empresário ligado à origem das carteiras falsas; e Alberto Felix de Oliveira, superintendente-executivo de Tesouraria do Banco Master. 

Na terça-feira (27), serão ouvidos outros quatro investigados ligados ao banco e ao BRB.

Os depoentes serão confrontados com documentos, contratos e fluxos financeiros já identificados pela PF, que busca esclarecer o funcionamento do esquema e a responsabilidade dos envolvidos. 

Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, já admitiu em depoimento anterior que a instituição enfrentava grave crise de liquidez e que seu modelo de negócios dependia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

O caso Banco Master ganhou dimensão nacional após o Banco Central decretar a liquidação extrajudicial da instituição, em novembro do ano passado, e passou a expor vulnerabilidades do sistema financeiro e as conexões entre o mercado de capitais, instituições públicas e interesses políticos. 

As oitivas desta semana marcam mais um passo no avanço do cerco judicial sobre o que já é tratado como um dos maiores escândalos financeiros recentes do país.

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