Motta anuncia comissão para acelerar proposta de tarifa zero no transporte
Presidente da Câmara trabalha para se aproximar de Lula, que pretende enviar ao Congresso projeto de gratuidade
Publicado 23/02/2026 18:37 | Editado 23/02/2026 20:54
Em reunião com prefeitos e parlamentares, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou uma comissão especial para debater a proposta de tarifa zero no transporte coletivo.
O tema será tratado na Câmara com a mesma prioridade da PEC da Segurança e do fim da escala 6×1.
Desse modo, Motta trabalha para melhorar sua imagem e se aproximar do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que pretende enviar, ainda este ano, um projeto ao Congresso sobre a gratuidade no transporte público.
Leia também: Brasil precisa de R$ 78 bilhões por ano para viabilizar tarifa zero
“Vamos entrar no debate sobre as fontes de financiamento. Aí entra na questão do vale-transporte e de outras fontes rumo à tarifa zero”, diz o deputado Jilmar Tatto (PT-SP), cotado para coordenar o grupo, segundo o Valor.
A pedido de Lula, o Ministério da Fazenda realiza estudo para avaliar a possibilidade de implementação da tarifa zero.
“É um tema já antigo no Brasil. Nós sabemos que o transporte público no Brasil, sobretudo o urbano, é uma questão importante para o trabalhador. Nesse momento, estamos fazendo uma radiografia do setor, a pedido do presidente. Tem vários estudos que estão sendo recuperados pela Fazenda, para verificar se existem outras formas mais adequadas de financiar o setor”, disse o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em entrevista ao programa Bom Dia, Ministro, da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em outubro passado.
O tema também deve integrar a campanha de reeleição do presidente Lula com a proposta do “SUS do Transporte Público”, que visa propor o financiamento do setor e viabilizar a gratuidade dos serviços.
De acordo com um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e da Universidade de São Paulo (USP), o transporte gratuito em 706 cidades do Brasil com mais de 50 mil habitantes custaria cerca de R$ 78 bilhões por ano.