Cuba acusa governo Trump de tentar provocar catástrofe humanitária
Em discurso na ONU, chanceler Bruno Rodríguez afirma que ofensiva energética dos EUA busca impor castigo coletivo à população e alerta para agravamento da crise na ilha
Publicado 24/02/2026 08:35 | Editado 24/02/2026 12:21
O chanceler cubano Bruno Rodríguez Parrilla afirmou nesta segunda-feira (23), em Genebra, que o governo de Donald Trump tenta deliberadamente provocar uma “catástrofe humanitária” em Cuba ao intensificar o cerco energético contra a ilha, durante discurso no Conselho de Direitos Humanos da ONU.
Segundo ele, a ordem executiva assinada no fim de janeiro pelo governo norte-americano “declara castigo coletivo contra o povo cubano” ao ameaçar com tarifas países que forneçam petróleo à ilha e, com isso, “busca criar uma catástrofe humanitária por meio de um bloqueio energético”.
“A ordem executiva de vinte e nove de janeiro do presidente dos Estados Unidos declara castigo coletivo contra o povo cubano e tem como objetivo criar uma catástrofe humanitária por meio de um bloqueio energético”, disse.
Rodríguez reconheceu que o cenário imposto terá custos sociais, mas disse que o país pretende evitar um colapso.
“Evitaremos uma crise humanitária em Cuba, ainda que atravessemos privações e sofrimento”, afirmou. “Mesmo no pior cenário, persistiremos, encontraremos soluções criativas para todas as dificuldades e mitigaremos os danos humanitários”.
O chanceler também afirmou que Cuba produz “quase metade do petróleo bruto que consome”, dispõe de capacidade de refino e vem realizando “investimentos significativos e eficientes em energia solar”, além de recorrer à experiência acumulada ao longo de décadas.
“Com sofrimento, três gerações de cubanos superaram o bloqueio dos Estados Unidos por mais de sessenta anos”, disse.
Apesar do tom de denúncia, Rodríguez afirmou que Havana não descarta uma via diplomática.
Segundo ele, Cuba estaria disposta a dialogar com Washington “com base na igualdade soberana e no direito internacional, no respeito mútuo e no benefício recíproco”, desde que não haja “pré-condições nem interferência em assuntos internos”, com o objetivo de “alcançar uma relação civilizada apesar de nossas diferenças”.
No mesmo evento em Genebra, o chanceler também situou a denúncia contra os Estados Unidos em um contexto mais amplo de instabilidade internacional, marcado, segundo ele, pela escalada militar global e pelo uso de tarifas como instrumento de pressão política. Nesse cenário, afirmou, “todos os Estados-nação estão em risco”.