Cuba acusa governo Trump de tentar provocar catástrofe humanitária

Em discurso na ONU, chanceler Bruno Rodríguez afirma que ofensiva energética dos EUA busca impor castigo coletivo à população e alerta para agravamento da crise na ilha

O chanceler cubano Bruno Rodríguez Parrilla durante discurso em Genebra, no qual acusou o governo dos EUA de impor um cerco energético e alertou para o risco de uma catástrofe humanitária em Cuba. Foto: Reprodução

O chanceler cubano Bruno Rodríguez Parrilla afirmou nesta segunda-feira (23), em Genebra, que o governo de Donald Trump tenta deliberadamente provocar uma “catástrofe humanitária” em Cuba ao intensificar o cerco energético contra a ilha, durante discurso no Conselho de Direitos Humanos da ONU.

Segundo ele, a ordem executiva assinada no fim de janeiro pelo governo norte-americano “declara castigo coletivo contra o povo cubano” ao ameaçar com tarifas países que forneçam petróleo à ilha e, com isso, “busca criar uma catástrofe humanitária por meio de um bloqueio energético”.

“A ordem executiva de vinte e nove de janeiro do presidente dos Estados Unidos declara castigo coletivo contra o povo cubano e tem como objetivo criar uma catástrofe humanitária por meio de um bloqueio energético”, disse.

Rodríguez reconheceu que o cenário imposto terá custos sociais, mas disse que o país pretende evitar um colapso. 

“Evitaremos uma crise humanitária em Cuba, ainda que atravessemos privações e sofrimento”, afirmou. “Mesmo no pior cenário, persistiremos, encontraremos soluções criativas para todas as dificuldades e mitigaremos os danos humanitários”.

O chanceler também afirmou que Cuba produz “quase metade do petróleo bruto que consome”, dispõe de capacidade de refino e vem realizando “investimentos significativos e eficientes em energia solar”, além de recorrer à experiência acumulada ao longo de décadas. 

“Com sofrimento, três gerações de cubanos superaram o bloqueio dos Estados Unidos por mais de sessenta anos”, disse.

Apesar do tom de denúncia, Rodríguez afirmou que Havana não descarta uma via diplomática. 

Segundo ele, Cuba estaria disposta a dialogar com Washington “com base na igualdade soberana e no direito internacional, no respeito mútuo e no benefício recíproco”, desde que não haja “pré-condições nem interferência em assuntos internos”, com o objetivo de “alcançar uma relação civilizada apesar de nossas diferenças”.

No mesmo evento em Genebra, o chanceler também situou a denúncia contra os Estados Unidos em um contexto mais amplo de instabilidade internacional, marcado, segundo ele, pela escalada militar global e pelo uso de tarifas como instrumento de pressão política. Nesse cenário, afirmou, “todos os Estados-nação estão em risco”.

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