Putin e Trump discutem guerra no Irã e abrem canal para negociações
Telefonema de uma hora tratou do conflito no Oriente Médio e da Ucrânia; Moscou diz ter apresentado propostas de solução e sinaliza disposição para atuar em negociações
Publicado 10/03/2026 10:39 | Editado 10/03/2026 17:39
Os presidentes da Rússia, Vladimir Putin, e dos Estados Unidos, Donald Trump, conversaram por telefone na noite de segunda-feira (9) sobre a guerra no Irã e possíveis caminhos para conter a escalada militar no Oriente Médio.
Segundo o Kremlin, Putin apresentou ao líder norte-americano propostas russas para enfrentar a crise e abriu espaço para futuras negociações.
A conversa durou cerca de uma hora e partiu de iniciativa de Trump. De acordo com o assessor presidencial russo Yuri Ushakov, os dois líderes discutiram a situação no Oriente Médio, o conflito na Ucrânia e também temas ligados ao mercado global de petróleo.
O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que Moscou levou à conversa propostas relacionadas à crise envolvendo o Irã. “Essas propostas foram transmitidas pelo presidente [Putin] ao seu interlocutor”, declarou. Segundo ele, o conteúdo das iniciativas não será detalhado neste momento.
“Veremos como o processo de coordenação seguirá adiante”, disse.
A posição russa tem sido de condenação direta à ofensiva militar contra o Irã. Desde o início dos bombardeios conduzidos por Estados Unidos e Israel, a diplomacia de Moscou classificou os ataques como uma escalada perigosa e pediu o fim das hostilidades.
Nesse cenário, analistas próximos ao debate de política externa em Moscou avaliam que o país pode tentar desempenhar um papel diplomático nas negociações. O cientista político Konstantin Blokhin, pesquisador do Centro de Estudos de Segurança da Academia Russa de Ciências, afirma que a Rússia mantém canais de diálogo tanto com Washington quanto com Teerã.
“Podemos ser os moderadores desse processo de negociação”, disse à Sputnik.
A ligação entre Putin e Trump ocorreu em meio à escalada militar iniciada em 28 de fevereiro, quando Estados Unidos e Israel iniciaram a guerra de agressão contra o Irã. Os ataques provocaram vítimas civis e foram seguidos por ações de retaliação iranianas contra território israelense e contra bases militares norte-americanas no Oriente Médio.
O conflito também ampliou a instabilidade no mercado global de energia. A guerra provocou uma forte alta nos preços do petróleo, impulsionada pelo temor de interrupções no transporte de combustível pelo Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa uma parcela significativa do comércio mundial de petróleo e gás.
Diante desse cenário, o governo norte-americano passou a discutir medidas para ampliar a oferta global de energia. Entre as possibilidades avaliadas em Washington está a flexibilização de algumas sanções relacionadas ao petróleo russo, medida que teria como objetivo aliviar a pressão sobre os preços internacionais.
O Kremlin afirmou que o tema não foi tratado em detalhe na conversa entre os dois presidentes, embora ambos reconheçam o impacto que as restrições energéticas exercem sobre a economia mundial.