Israel atinge base da ONU no Líbano enquanto guerra expulsa 1 milhão
ONU alerta para possíveis crimes de guerra após ataques a civis; Exército israelense admite disparo contra base da missão de paz no sul do Líbano
Publicado 18/03/2026 13:00 | Editado 19/03/2026 13:51
A Organização das Nações Unidas alertou nesta terça-feira (17) que ataques de Israel contra civis e infraestrutura no Líbano podem constituir crimes de guerra, em meio à escalada militar que já deixou centenas de mortos e cerca de 1 milhão de deslocados desde o início de março.
O alerta foi emitido pelo Escritório de Direitos Humanos da ONU, que apontou a destruição de moradias, unidades de saúde e outras estruturas civis, além de reiterar que o direito internacional humanitário exige distinção entre alvos militares e civis.
O escritório afirmou que “ataques deliberados contra civis e infraestrutura civil no Líbano podem constituir crimes de guerra” e classificou como “totalmente inaceitáveis” declarações de autoridades israelenses que ameaçam infligir ao país uma destruição em escala semelhante à observada em Gaza.
Na noite de terça-feira e madrugada desta quarta-feira (18), Israel realizou um dos bombardeios mais intensos em décadas no centro de Beirute, destruindo edifícios residenciais em áreas densamente povoadas e deixando ao menos 10 mortos, segundo autoridades libanesas. Um prédio de dez andares foi reduzido a escombros, em ataques que atingiram bairros próximos à sede do governo e marcaram a ampliação da ofensiva para regiões centrais da capital.
Os bombardeios ocorreram ao longo de horas e, em parte dos casos, sem aviso prévio à população, enquanto outras regiões do país também foram atingidas.
A escalada militar se dá após a intensificação dos confrontos a partir de 2 de março, quando o Hezbollah retaliou a guerra de agressão iniciada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã. A retaliação da resistência árabe inclui o lançamento de foguetes, drones e artilharia.
Desde então, mais de 900 pessoas morreram no Líbano, incluindo crianças e mulheres, e milhares ficaram feridas, de acordo com dados oficiais.
A ofensiva israelense tem provocado deslocamento em massa da população, com famílias obrigadas a abandonar suas casas e buscar abrigo em escolas, tendas improvisadas ou áreas superlotadas, em um cenário de deterioração das condições de vida e acesso limitado a serviços básicos.
A líder do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) na Câmara, Jandira Feghali, manifestou solidariedade ao povo libanês e condenou a ofensiva militar.
“Gostaria de ser solidária ao povo libanês. Meu pai era libanês, Feghali é um nome libanês, e é muito doloroso ver o Líbano ser explodido mais uma vez”, disse.
A parlamentar classificou a guerra como resultado de uma “aliança imperialista, sionista, cuja única intenção é dominar o Oriente Médio a favor da política norte-americana” e criticou a ausência de reação internacional diante das mortes de civis.
“Não é possível a gente aceitar mais que pessoas civis morram dentro do centro de Beirute, na capital do Líbano, sem qualquer reação, sem qualquer solidariedade nossa”, protestou.
Ela também vinculou a escalada ao conflito regional envolvendo o Irã e afirmou que há resistência à ofensiva.
“Então eu quero mais uma vez repudiar esta guerra, que iniciou implodindo o Irã para tentar reduzir a resistência no Oriente Médio à política norte-americana, mas está tendo resistência”, disse.
Também nesta terça-feira (17), o Exército de Israel reconheceu que disparos de tanques atingiram, em 6 de março, uma posição da missão de paz da ONU no sul do Líbano, ferindo soldados de Gana.
Segundo a versão israelense, as tropas respondiam a disparos de mísseis antitanque do Hezbollah e teriam confundido a posição da UNIFIL com a origem do ataque. Israel afirmou que apresentou desculpas às Nações Unidas e ao governo de Gana.