Bancada feminina na Câmara vai lutar para desenterrar projeto da misoginia

A matéria, que equipara misoginia ao racismo, foi aprovada no Senado, mas encontra dificuldades de tramitar na Câmara

Atual bancada feminina do Congresso Nacional | Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

A bancada feminina vai pressionar o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), para pautar o projeto de lei que criminaliza a misoginia, definida como ódio ou aversão às mulheres.

A matéria, que equipara misoginia ao racismo, foi aprovada no Senado, mas encontra dificuldades de tramitar na Câmara.

Depois de uma reunião com líderes, Motta anunciou que o projeto não vai entrar em pauta antes das eleições, o que foi comemorado pelos deputados bolsonaristas.

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“O que é esse combate à lei da misoginia? A gente está com dificuldade de aprovar aqui a lei que tipifica a misoginia. Nós tipificamos o feminicídio, foi um grande avanço, mas é preciso tipificar a misoginia. E muitos que se levantam contra ela são misóginos, são agressores, são falsos moralistas, hipócritas, que nós temos dentro deste parlamento”, explica a líder do PCdoB na Câmara, deputada Jandira Feghali (RJ).

Para ela, é preciso que se entenda do que é feito o parlamento. “Por favor, muita consciência em 2026, para a gente mudar essa realidade do parlamento brasileiro, porque isto aqui, em muitas situações, tem sido um grande atraso para o avanço dos direitos e da luta das mulheres”, disse.

A deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP) afirma que a bancada feminina na Casa não aceita a manobra para votar a matéria após as eleições.

“A gente vai seguir pressionando, até porque existem outros projetos na Câmara de conteúdo semelhante. Um deles, de minha autoria, já está na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), que é a última comissão. A gente já tem, inclusive, as assinaturas para votar em urgência no plenário, depois de aprovado na CCJ”, disse a deputada.

Sâmia indica dois caminhos para avançar com a proposta: insistir no colégio de líderes por meio da bancada feminina e apostando em outros projetos que tramitam na Casa.

“Tentar as duas táticas porque o que não dá é para fingir que não tem nada acontecendo. Imagina. É o tema que está nas redes sociais e na imprensa há semanas e, de repente, a Câmara não dá resposta nenhuma, a gente não admite isso”, diz.

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