Privatizada por Tarcísio, Sabesp vira máquina de tragédias

Explosão causada pela empresa tem vítima fatal e já são três mortos em menos de um ano. Presidente do Sintaema pede saneamento à frente do lucro para evitar novos acidentes

Explosão causada pela Sabesp. Foto: Reprodução/Corpo de Bombeiros

Uma nova tragédia protagonizada pela Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo) matou uma pessoa, deixou feridos, desabrigados e causou danos a inúmeras propriedades na segunda-feira (11), no Jaguaré, zona oeste de São Paulo (SP).

O caso aconteceu após uma tubulação de gás explodir ao ser atingida durante uma obra de remanejamento de tubulação de água feita pela Sabesp. A situação é mais um episódio desastroso dos rumos que a empresa tomou após ser privatizada pelo governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Prestes a completar 2 anos desde a sua venda, os níveis de sucateamento da companhia vêm numa crescente, ocasionando acidentes e deixando um rastro de morte.

Estima-se que a explosão no Jaguaré tenha deixado 73 famílias desalojadas. Porém, o mais grave é a morte de Alex Sandro Fernandes Nunes, de 49 anos, que dormia em sua casa.

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Longe de ser um caso isolado, confira outras negligências recentes da empresa — em acentuado grau de descaso ao registrar três mortes em acidentes em menos de um ano:

  • Em Mauá (SP), em setembro do mesmo ano, uma tubulação da empresa se desprendeu enquanto era içada, invadiu uma casa e matou Clelia dos Santos Pimentel, de 79 anos;
  • Já em abril, uma adutora da companhia rompeu em Osasco (SP), desabasteceu 30 mil imóveis e causou alagamentos, com a água invadindo casas e arrastando carros.

Sintaema denuncia privatização

O Sintaema (Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo) esteve na linha de frente contra a privatização da Sabesp. Os sindicalistas alertaram a sociedade sobre os riscos que a venda da companhia iria trazer: sucateamento; piores serviços oferecidos à população; e aumento da conta de água.

Ao Portal Vermelho, o presidente do Sintaema, José Faggian, observa que desde a privatização, a Sabesp passa por um desmonte e um total descarte da mão de obra qualificada formada ao longo dos últimos 50 anos, a qual garantia a expertise e a qualidade dos serviços prestados.

“Quando se desmonta a empresa, quando se demite e dispensa 50% do quadro remanescente, com isso vai embora também a qualidade e o conhecimento que esses trabalhadores imprimiam aqui nos serviços prestados pela Sabesp”, aponta.

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O sindicalista entende que é fundamental contextualizar todos os episódios de acidentes da Sabesp, incluindo as mortes e a piora na qualidade dos serviços, no ensejo da privatização.

“É importante contextualizar a privatização, que foi promovida pelo governador [Tarcísio], foi inclusive uma das bandeiras dele desde o primeiro momento em que pisou em São Paulo para fazer a campanha, dizendo que o serviço ia melhorar quando se privatizasse. Nós do Sintaema, com muitos dados e muitos elementos, dizíamos o contrário. Infelizmente estávamos certos, e mais rápido do que a gente imaginava”, lamenta.

Para Faggian, a lógica do lucro no saneamento precisa ser deixada de lado, pois o aumento de reclamações passou de 3,7 mil em 2023 para quase 10 mil em 2024, um aumento de 162%, segundo a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp). Nesse período em que o serviço piorou e as mortes estão se acumulando, o Sindicato indica que no primeiro trimestre de 2026, a Sabesp teve R$ 1,5 bilhão de lucro líquido, um crescimento superior a 32% em relação ao ano anterior.

“Ou se dá um cavalo de pau no que vem acontecendo com a empresa e se retoma um processo de valorização dos trabalhadores e se coloca o saneamento à frente da lógica do lucro, ou eventos dessa natureza [acidentes fatais] vão continuar se repetindo e se amplificando, infelizmente”, entende.

Entrega do patrimônio paulista

Outro ponto em que Faggian chama a atenção é o programa UniversalizaSP do governo estadual. A iniciativa lançada como apoio aos municípios paulistas para alcançarem as metas de universalização do saneamento básico, na verdade, tem forçado a privatização de sistemas municipais de saneamento.

De acordo com o dirigente sindical, o programa UniversalizaSP (lançado em paralelo à privatização da Sabesp) impôs uma série de exigências para as prefeituras onde o serviço de saneamento não era operado pela companhia. Enfim, a medida funcionou como assessoria para modelar a privatização desses sistemas municipais que, em grande parte, eram eficientes.

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“E agora começou o processo de privatização desses sistemas municipais. Estamos vendo isso em São Caetano, em Araraquara e em outros grandes municípios. O governo estadual patrocina e força a privatização desses sistemas de saneamento como tem feito em outras áreas, saúde, educação”, alerta.

Na avaliação de Faggian, é preciso estancar esse processo de entrega do patrimônio do povo paulista para a iniciativa privada sob o risco de acontecer com a saúde e a educação (vide as recentes greves nessas áreas) o mesmo que tem acontecido com a Sabesp e todo o saneamento do estado e que já aconteceu também com o setor energético. A privatização da Eletropaulo resultou na Enel São Paulo, que acumula milhares de problemas a cada chuva que acontece, principalmente, na Região Metropolitana de São Paulo.

“A iniciativa privada vem para ter lucro e não para prestar serviço para o povo de São Paulo. Então a gente precisa unificar a luta com os outros setores e tentar estancar esse processo que é lamentável e já está trazendo um grande prejuízo para o povo paulista”, afirma o presidente do Sintaema.

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