Pai de Vorcaro é preso em nova operação sobre o escândalo do Master

Prisão de Henrique Vorcaro ocorreu por suspeitas de fraudes bilionárias e ocultação de bens no Banco Master

A Polícia Federal deflagrou, na maanhã desta quinta-feira (14), a 6ª fase da Operação Compliance Zero, resultando na prisão de Henrique Moura Vorcaro na cidade de Nova Lima, região metropolitana de Belo Horizonte. A ação, autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), amplia o cerco às irregularidades que levaram à liquidação do Banco Master em dezembro de 2025. Henrique é pai de Daniel Vorcaro, ex-controlador da instituição financeira e preso desde março deste ano, sendo apontado pelas investigações como peça central na estrutura financeira utilizada para a ocultação de ativos e o escoamento de recursos por meio de fundos fraudulentos.

A operação mobilizou agentes para o cumprimento de sete mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão, com incursões concentradas em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. Além dos crimes financeiros e de lavagem de dinheiro, o inquérito detalha práticas de uma organização criminosa que utilizava métodos de intimidação, invasão de dispositivos informáticos e violação de sigilo funcional para garantir a manutenção das operações ilícitas. Henrique Vorcaro, fundador do Grupo Multipar, foi detido no momento em que planejava uma viagem a Brasília para visitar o filho na prisão.

Pai tinha posição de relevo na organização de Vorcaro

As acusações detalhadas pela Polícia Federal atribuem a Henrique Vorcaro uma “posição de relevo” na organização criminosa, exercendo o papel de principal solicitador e financiador de serviços ilícitos prestados pelos núcleos “A Turma” e “Os Meninos”. Segundo o relatório aceito pelo STF, o empresário demonstrava “persistência delitiva”, mantendo o custeio mensal da estrutura — com diálogos que mencionam repasses de até R$ 800 mil — mesmo após o avanço das investigações. Os investigadores apontam que Henrique coordenava o monitoramento ilegal de alvos e o acesso clandestino a sistemas sigilosos da corporação para blindar o patrimônio familiar, estimado em R$ 2,2 bilhões ocultados, utilizando-se inclusive de telefones estrangeiros e trocas frequentes de aparelhos, especialmente da Colômbia, para dificultar o rastreamento de suas comunicações com a rede de policiais e hackers a seu serviço.

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O desdobramento atual reflete o avanço das apurações sobre o núcleo familiar dos Vorcaro. Na etapa anterior da operação, a Polícia Federal já havia detido Felipe Cançado Vorcaro, primo de Daniel, sob suspeita de operacionalizar repasses indevidos a agentes políticos, incluindo repasses ao senador Ciro Nogueira.

A decisão de Mendonça, além de decretar as custódias, impôs o bloqueio de bens dos envolvidos e o afastamento de funções públicas para os investigados com vínculos institucionais.

Enquanto Daniel Vorcaro mantém tratativas para um acordo de colaboração premiada com a Procuradoria-Geral da República, Henrique foi encaminhado à sede da PF em Minas Gerais, onde prestará depoimento sobre sua participação na blindagem patrimonial contra credores.