A esquerda bem informada
A esquerda bem informada

Mariana Serafini

Jornalista e especialista em América Latina pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP)
Colômbia – Por onde andam as Farc depois que deixaram as armas?

A Colômbia atravessa seu segundo processo eleitoral desde o fim da guerra entre o Estado e a Guerrilha, em 2016, por isso é importante saber por onde andam os ex-guerrilheiros. Pessoas que – por uma ou outra razão – precisaram pegar em armas para defender a si próprias e seus territórios, agora nestes últimos seis anos vivem o desafio da reintegração social, política e cultural depois de baixar os fuzis e eleger a palavra como arma

A solução para a Colômbia passa pela superação do medo, diz professor

Com histórico de violência e sabotagem nos processo eleitorais, a esquerda mantém estado de alerta. Essa semana, o candidato líder nas pesquisas, Gustavo Petro, sofreu ameaça de morte e cancelou toda a agenda de campanha no “Eixo cafeeiro”. Leia entrevista de Pietro Alarcón.

Colômbia a um passo de consolidar sua segunda chance sobre a terra

A notícia que vem da Colômbia é de que o candidato da esquerda, Gustavo Petro, é o favorito para as eleições presidenciais em maio. Poucas vezes o campo progressista chegou tão perto, e, em todas, a direita não respeitou o pacto democrático. Ou seja, reagiu com violência. Desta vez, no entanto, mesmo com as tentativas de roubo de votos e fraude, a esquerda avança. É como se depois da guerra de 50 anos, finalmente as pessoas pudessem votar por uma segunda chance sobre a terra.

Fidel sem farda, por Mariana Serafini

Ninguém capturou Fidel Castro tão “desarmado”, mesmo quando em combate, quanto Alberto Korda. O fotógrafo cubano largou seu estúdio de moda para acompanhar a revolução e congelou os melhores momentos do comandante e seus companheiros de luta – mostrando um líder completamente apaixonado pela vida, pelas pessoas, pelo presente.

Quino se foi, mas nos deixou Mafalda – mais atual e necessária que nunca

Pode até ser clichê citar Che Guevara para falar sobre a partida do Quino, o cartunista argentino que morreu na última quarta-feira (30), mas o fato é o que pai da Mafalda foi incisivo em sua crítica social sem jamais perder a ternura. A pequena prodígio, do alto de seus eternos seis anos, expressou as angústias dos que são capazes de se indignar com as injustiças do mundo e hoje, passado meio século de seu nascimento, está mais atual que nunca – infelizmente.

”O Dilema das Redes” expõe o problema, mas ignora a solução e humaniza os culpados

Para prender a atenção, o filme segue um roteiro previsível. Humaniza os culpados, espetaculariza o problema, dramatiza as consequências e não traz soluções práticas

A Débil Mental de Ariana Harwicz inquieta com arroubo de loucura e morte

Novo romance da escritora argentina Ariana Harwicz explora limites da mulher contemporânea – exausta e à beira da loucura. Comparada a Virgínia Woolf devido ao fluxo de consciência delirante que marca a obra, a jovem autora salta com graça pelo tabuleiro do realismo mágico latino-americano sem dever nada aos mestres do boom.

Resistência dos entregadores de app: novo capítulo da luta de classes

Não é só no Brasil que a uberização do trabalho tem encontrado resistência — e, se os métodos de dominação desta nova organização do trabalho se assemelham em diversos países, a organização popular também ganhou ressonância internacional.

Trabalhadores de aplicativo querem abalar as estruturas neoliberais

Os entregadores antifascistas se articularam em defesa de direitos trabalhistas.

Salvem a Cinemateca Brasileira! Ou levem o peso de destruir a história

Pouco importa o que Regina Duarte vai fazer da vida depois de ter deixado a Secretaria Especial de Cultura. Essa (mais essa) crise institucional serviu para jogar luz onde realmente merece atenção e precisa de socorro, a situação da Cinemateca Brasileira. Com 70 anos de história e dona do maior acervo de imagem em movimento da América Latina, a instituição corre o risco de desaparecer sob o comando obscurantista de Bolsonaro.

Cinco livros latino-americanos para os tempos de cólera

Há algumas semanas Camus e Saramago estão no topo de “mais vendidos” em livrarias online.
O pânico de ver o mundo colapsar em semanas, ameaçado por um inimigo invisível, levou muitos leitores a buscar resposta na literatura. Tanto “A Peste”, do francês, quanto “Ensaio sobre a cegueira”, do português, ensinam que em tempos de incerteza a saída é coletiva. Entretanto, aqui no Sul do mundo temos um jeito bastante próprio de narrar nossa cólera. E a lista é sobre isso.

Como a chegada do coronavírus mudou a paisagem do centro de SP

Estava há doze dias sem sair de casa, quando decidi dar uma volta de bicicleta para tomar um sol e ver o impacto da pandemia pelo centro. Embora a quarentena tenha começado oficialmente em São Paulo em 24 de março, três dias antes do anúncio do governador João Dória eu e minhas duas colegas de casa já tínhamos decidido nos isolar, uma vez que podemos fazer home office.