O governo Lula e o cinema
As novas perspectivas para o cinema brasileiro no novo governo Lula e a Master Class do cineasta Abdellatif Kechiche
Publicado 07/11/2022 13:36 | Editado 08/11/2022 11:03

Lula foi descansar na Bahia, terra de Glauber Rocha e onde começou o Cinema Novo, o maior movimento cinematográfico já acontecido em nosso país. Certamente, alguém ligado a cinema pode tê-lo encontrado e alguma conversa pode ter começado para o que deve acontecer agora com a nova administração, em torno do movimento cinematográfico. Tudo poderá acontecer nesses próximos quatro anos, a partir, pode ser da terra do novo Presidente, pois aqui temos hoje o mais famoso dos últimos anos, o cineasta brasileiro Kleber Mendonça Filho.
No Brasil, tudo recomeça de tempo em tempo. Assim, depois da devastação bolsonarista, terá que haver um recomeço. E claro que um recomeço sempre trará coisas novas. Alguma repetição, mas o pessoal de cinema terá que encontrar novos caminhos e o cinema financiado pelo Governo terá que ser uma fórmula reestudada. E será claro.
Tragédias como o desprezo terrível a que foi jogada a Cinemateca Brasileira, certamente, serão reencontradas maneiras de desfazê-las. O fato de Lula gostar de cinema será fundamental, inclusive para que os cineastas brasileiros possam abrir caminhos para as coproduções. Algo que hoje é fundamental no desenvolvimento do cinema não industrial, mas ao mesmo tempo industrial.
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E também o fato de termos um governo central que cuida da produção cinematográfica, cria condições para que os governos estaduais também cuidem melhor do cinema. Nesses próximos quatro anos, a produção cinematográfica deverá se desenvolver muito no país todo, e claro que Kleber terá ou poderá ter muita influência nisso. Ele criou essas condições certamente.
Aqui da minha toca em Olinda, espero continuar a acompanhar o desenvolvimento do nosso cinema, inclusive não só em relação à produção de filmes, mas por exemplo de um núcleo que consiga colocar o cinema brasileiro dentro da internet. Uma Netflix especial própria do cinema brasileiro. Seria especial.
Olinda, 02. 11. 22
Master class de Abdellatif Kechiche

Uma boa matéria que li no Le Monde foi sobre o cineasta franco-tunisiano Abdellatif Kechiche. Esse cineasta tem um nome árabe bastante estranho para nós, mas não é tão estranho, pois inclusive em 2013 ganhou a Palma de Ouro no Festival de Cannes com o filme “La vie d’Adele”. E seu filme mais reconhecido parece ser “Mektoub, My love”.
A matéria começa sobre a Master Class no Festival Cinemed que aconteceu em Montpellier na França, e não é um resumo da aula, mas comentários em torno da vida de Abdellatif Kechiche, lembrando que fazia dois anos de silêncio do cineasta, e lembrando também episódios havidos em torno de uma acusação de assédio sexual do cineasta. Inclusive, durante a Master Class, um grupo de feministas fez provocações entrando e saindo na sala.
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Embora a França não tenha uma grande indústria de cinema, lá pousam muitos bons cineastas, e moram e fazem grandes filmes em estilo ‘independente’. Inclusive brasileiros.
Olinda, 31. 10. 22