Os recuos autoritários de Bolsonaro

Desde a posse, os recuos têm sido uma constante, mas Bolsonaro nunca volta para o lugar de antes.

Bolsonaro recuou mais uma vez. Recuo aparente, apenas, pois a Medida Provisória assinada na noite do domingo continua extremamente prejudicial aos interesses dos trabalhadores e do povo brasileiro. A medida torna ainda mais precárias para os trabalhadores as já combalidas relações trabalhistas, enquanto fortalece o patronato.

Desde a posse, os recuos têm sido uma constante, mas Bolsonaro nunca volta para o lugar de antes. Quando avança três ou quatro casas e é obrigado a recuar, o retorno é sempre menor do que o passo dado, uma ou duas casas, colocando-se assim sempre adiante, marchando na sua sanha de destruição do país.

Quando recua, dá a impressão de que está avançando. A Medida Provisória assinada na noite do último domingo foi amplamente divulgada e imediatamente combatida por todos os lados. Ao sentir a pressão, Bolsonaro revogou um dos artigos da medida, o que vinha sendo mais combatido, e anunciou isso de público: “Determinei a revogação do art. 18 da MP 927 que permitia a suspensão do contrato de trabalho por até 4 meses sem salário”.

Bolsonaro, que no mesmo domingo em que chamou os governadores de exterminadores de empregos, assinou uma Medida Provisória que estimulava o desemprego, agora aparece como defensor dos trabalhadores. A sua mensagem no Twitter, revogando um trecho da medida assinada por ele próprio, dá a impressão de que ele interferiu em defesa dos trabalhadores, como se um terceiro fosse o responsável pelo ato infame.

A ação do Presidente enfraquece a resistência à MP 927, pois parte dos que a ela se opunham só conseguiram enxergar o art. 18, desconsiderando o restante, de teor altamente nocivo aos trabalhadores, de caráter profundamente autoritário. Bolsonaro, mais uma vez, semeia o caos e a desordem para, mais adiante, se apresentar como o único capaz de garantir a ordem.

Assim, de Twitter em Twitter, de um aparente recuo a outro, avança na realização do seu sonho, de um governo autoritário, sem congresso nem STF, sem oposição e sem governadores que o contradigam, com ministros dóceis e dispostos a qualquer coisa para satisfazer seus caprichos lunáticos.

Por enquanto, ainda não reúne forças suficientes para tentar um golpe. Mas não nos enganemos, no primeiro momento em que achar que a correlação de forças lhe é amplamente favorável, Bolsonaro não hesitará em varrer da sua frente todos os obstáculos, todas as personalidades políticas e instituições que julgar que são seus adversários.

Parafraseando o naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire, ou nos unimos todos para por fim à aventura bolsonarista, ou o bolsonarismo acabará com o Brasil.

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