Impeachment: unir forças contra Bolsonaro

Desde que tomou posse como presidente da República, em janeiro de 2019, Jair Bolsonaro acumulou, até hoje, 61 pedidos de impeachment. São 2.4 pedidos por mês, apresentados à Câmara dos Deputados – número que se acelerou visivelmente desde o início da pandemia, em março de 2020 – de lá pra cá são 54 pedidos, ou quase 5 por mês.

Há pedidos para todos os gostos, da esquerda à direita – incluindo partidos como o PCdoB, PT, PDT, e o direitista Novo. Na avaliação popular, diz a última pesquisa Exame/Ideia, sua aprovação despencou de 37% a 26%. Já o Datafolha indica que a reprovação do saltou de 32%  para 40%.  Sendo a maior queda de aprovação de Bolsonaro desde que ele assumiu a presidência da República  Os números indicam que uma grande quantidade de eleitores que, iludidos com o discurso de uma política nova,  deram a ele a vitória em 2018 se sentem traídos e agora lhe dão as costas.    

As acusações de crime de responsabilidade praticados por Bolsonaro se multiplicam. Eles ficaram evidentes em seu comportamento ante a grave pandemia que o Brasil e os brasileiros já enfrentaram.  Contra todas as evidências médicas, científicas e sanitárias, Bolsonaro negou a gravidade da crise, chamando-a de “gripezinha”. Não aceitou as medidas de isolamento social necessárias à profilaxia do mal; incentivou a aglomeração de pessoas, colocando-as todas em risco de contágio; insistiu na recomendação de tratamentos comprovadamente inócuos contra a Covid-19, como a propaganda insistente que, não sendo médico, faz da cloroquina, afrontando a recomendação de médicos e cientistas; despreza a ciência e aposta em crendices pessoais.

A consequência mais imediata desses crimes contra os brasileiros, cometidos pelo chefe da Nação, são os mais de 210 mil mortos e quase 9 milhões de infectados. A situação chegou ao ápice com o colapso em Manaus, onde pacientes morrem asfixiados pela falta de oxigênio nos hospitais – algo que um planejamento centralizado de combate à pandemia, de responsabilidade do presidente da República, teria a obrigação de prever – desleixo que também aparece com clareza na confusão armada, devido a falhas de planejamento do governo federal, em torno das necessárias vacinas que os brasileiros precisam.

Vários juristas de renome pensam que, ao descumprir suas obrigações constitucionais e cometer crimes de responsabilidade previstos na Lei Maior ou na Lei 1.079/1950, o governo de Jair Bolsonaro é em si mesmo um risco à ordem social, à saúde pública e à economia do país. É, como dizia o cientista político Wanderley Guilherme dos Santos, um “governo de ocupação”, que despreza o povo e o país.

Tamanha falta de responsabilidade e de cuidado com o povo, que despreza, tornam urgente o impeachment de um presidente que, como Bolsonaro, já deu todas as demonstrações de não estar à altura das exigências de seu cargo. A repulsa a Bolsonaro já estrapola os segmentos que já faziam oposição, partidos e entidades do movimento popular. Ganha corpo entre setores mais amplos e até mesmo veículos de comunicação cobram o afastamento do presidente incompetente e irresponsável. manifestações, panelaços, movimentos nas redes sociais e agora carretadas se espalham pelo país, demonstrando um sensível mudança no quadro político. A hora é de agregar mais forças, com a amplitude e radicalidade necessárias a dar um basta a esse governo genocida, inimigo dos brasileiros e do Brasil.

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