O grave risco da realização do Enem agora

No cenário da grave pandemia de Covid-19 que acomete o mundo em nossos dias, a ciência, a medicina e a prudência recomendam o isolamento social como uma das medidas mais eficazes para impedir a propagação da doença e proteger a saúde das pessoas.

No Brasil, que já acumula mais de 206 mil mortes e onde há mais de 8,2 milhões de infectados pelo coronavírus – número que, neste início de ano, cresce com rapidez semelhante à do início da pandemia – a situação é particularmente grave, impondo cuidados que não podem ser minimizados.

Pois é nesse quadro de agravamento da crise sanitária que o Ministério da Educação e a Justiça Federal em São Paulo favorecem a aglomeração de pessoas, expondo-as ao contágio pelo coronavírus. A manutenção das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) para os dias 17 e 24 de janeiro provocou indignação de entidades estudantis e científicas, secretários de educação e de saúde, além de instituições de defesa dos direitos dos cidadãos.

LEIA TAMBÉM: Enem sob pandemia: entidades estudantis denunciam “risco à sociedade”

O Ministério da Educação recusa-se, olimpicamente – como é a marca do governo Bolsonaro,  que despreza o povo e não cuida de sua saúde e vida – ao diálogo com entidades estudantis, como a UNE, a UBES e a ANPG, e organizações que representam os cientistas, como a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que exigem o respeito às medidas de isolamento social e o adiamento da prova do Enem. As entidades representativas dos estudantes secundaristas, universitário e de pós-graduação divulgaram nota destacando que a consulta feita aos candidatos do Enem indicou o mês de maio para realização das provas. O objetivo é garantir a saúde de estudantes e funcionários encarregados pela aplicação da prova e também a necessária igualdade entre os mais de 5,78 milhões de estudantes que confirmaram a participação no exame.

Em documento dirigido ao Ministério da Educação, a SBPC, a UNE, a UBES, a ANPG e outras 45 entidades científicas e de estudantes, alertam para o grave perigo que a aglomeração, nas salas de exame representa para os envolvidos e chama a atenção para a situação da pandemia no Brasil de hoje, em que o contágio se acelera – e poderá ficar mais rápido devido à imprudência da realização do Enem na data marcada. E todos são unânimes em afirmar a responsabilidade do governo e do Ministério ante este quase provável agravamento.

Preocupação partilhada pelo Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass ) e pela própria Defensoria Pública da União, que também defendem o adiamento da prova para época mais segura do ponto de vista da saúde pública.

LEIA TAMBÉM: Enem deve escancarar desigualdades educacionais

Mais uma vez a pandemia opõe aqueles que defendem o bem-estar do povo e querem as medidas necessárias para conter o contágio do coronavírus, àqueles que – como o capitão presidente – querem a “normalidade”, sem se importar com os riscos para a vida e a saúde que isso possa representar, mesmo que o país seja hoje o segundo em número de mortos por Covid-19 em todo o mundo. Não satisfeito em protelar o início da vacinação, quando mais de 50 países já o fizeram, o governo genocida de Jair Bolsonaro não se importa de por em risco milhões de jovens e suas famílias.