"O que gera segurança não é cada cidadão ter sua arma em casa, mas sim uma política preventiva que combata o crime organizado, as milícias, o contrabando de armas pesadas e o narcotráfico".
Por Wadson Ribeiro*
O PCdoB ingressou, nesta quarta-feira (17), com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 6058) no Supremo Tribunal Federal (STF) contra o decreto 9685/2019, editado por Jair Bolsonaro esta semana, que facilita a aquisição e o registro de armas pela população. Na ação, o PCdoB classifica o decreto como “abuso do poder regulamentar” do chefe do Poder Executivo.
O ex-deputado federal e dirigente do PCdoB Haroldo Lima comenta o decreto de Jair Bolsonaro que facilita a posse de armas de fogo. Para ele, a medida é mais um despropósito já que, ao invés de diminuir o número de homicídios deverá aumentar. Segundo o ex-parlamentar a razão verdadeira do decreto é beneficiar a indústria de armas, ansiosa por obter mais lucros às custas da desgraça do povo brasileiro, e armar os latifundiários para enfrentar os trabalhadores rurais que lutam pela reforma agrária
Um dia após a assinatura do decreto presidencial facilitando o porte de armas no Brasil, o deputado federal (PCdoB-SP) e líder da bancada comunista na Câmara, Orlando Silva criticou, nesta quarta-feira (16), o "libera geral" indicado no decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro.
São para lá de duvidosos, segundo os especialistas, os efeitos da flexibilização da posse de armas no combate à criminalidade. Ao contrário, o risco é que a facilidade dada no decreto presidencial assinado nesta terça acabe por elevar o número de homicídios por armas de fogo.
Por Helena Chagas
O presidente do IAPAZ (Instituto de Estudos e Ação pela Paz com Justiça Social), Álvaro Gomes, criticou o decreto do presidente Jair Bolsonaro, publicado nesta terça-feira (15/01), que flexibiliza a posse de armas de fogo no Brasil. Para Álvaro, a medida não é o caminho correto para enfrentar os problemas da segurança, pois ter mais pessoas armadas não pode ser eficiente no combate à violência.
Bolsonaro quer assinar medida ainda nesta semana. Para Benedito Mariano, ouvidor das polícias de São Paulo, governo federal passa para a população a responsabilidade pela segurança pública.
Pesquisas demonstram que o aumento da circulação de armas faz crescer o númeor de homicídios.
Por Maria Carolina Trevisan*
Um dia antes do segundo turno das eleições presidenciais, pesquisas do Datafolha evidenciaram que a maioria dos brasileiros acredita que a posse de armas deve ser proibida e que a homossexualidade deve ser aceita por toda a sociedade.
Para Daniel Misse, a relação que Bolsonaro faz entre mais armamento e segurança vai na contramão de diversas pesquisas.
Enquanto Jair Bolsonaro (PSL) tenta fazer a linha de estadista pacificador, contrariando o discurso que faz há 30 anos de vida pública, o mercado de armas já fatura com a ascensão do ultraconservador nas pesquisas de intenções de voto. A fabricante brasileira de armas Forja Taurus obteve um salto de suas ações na bolsa.
A organização Anistia Internacional considera que o uso de armas nos Estados Unidos, que provoca mais de 30 mil mortos por ano, deve ser encarado como um problema de direitos humanos e não apenas de saúde pública