Ao convocar os credores internacionais para que anistiem ou perdoem a dívida do Haiti de aproximadamente US$ 1,3 bi, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforça mais ainda o protagonismo do país no cenário mundial. O gesto, segundo especialistas, vai muito além da retórica uma vez que as ações brasileiras naquele país são concretas.
Há pouco mais de um mês do dramático terremoto que, em janeiro, pode ter matado cerca de 200 mil pessoas, a opinião pública mundial não pode – nem deve – esquecer o Haiti. É justamente agora que o relógio da sobrevivência cobra maior agilidade e decisão para reconstruir o que desabou e resgatar a sociedade de uma nefasta espiral de privação e empobrecimento.
Por José Graziano da Silva*, em Valor Econômico
Quase 600 mil haitianos já deixaram a capital Porto Príncipe rumo a outras cidades do país, segundo informação do Escritório das Nações Unidas para Assistência Humanitária, Ocha.
A tragédia do Haiti desatou um formidável movimento internacional de solidariedade. Mas, segundo o escritor uruguaio Eduardo Galeano, o terremoto também provocou outras réplicas. São, explica em artigo publicado no El País, tremores de hipocrisia, racismo e amnésia que nenhum sismógrafo é capaz de detectar. A tradução é do Cepat.
Recebido em Porto Príncipe nesta quarta-feira (17) com pompa e circunstância, o presidente francês Nicolás Sarkozy chega ao Haiti para uma visita de dois dias, prometendo mundos e fundos para ajudar o país, devastado pelo terremoto de 12 de janeiro. Porém, sua presença reaviva na memória dos haitianos a cruel colonização do país pela França nos séculos 18 e 19.
O Haiti viveu na sexta-feira (12) um dia de luto nacional, um mês após o implacável terremoto que arrasou com a capital Porto Príncipe e outras cidades do país, onde o maior desafio cidadão é manter vivos os sonhos, em permanente luta pela vida.
Os aproximadamente 400 cooperantes da Brigada médica cubana no Haiti foram a mais importante assistência sanitária ao povo haitiano durante as primeiras 72 horas após o recente terremoto. Essa informação foi censurada pelos grandes meios de comunicação internacionais.
Por José Manzaneda*, em Adital
Uma comitiva brasileira visitou o Haiti no dia 3 de fevereiro e participou de diversas agendas no sentido de prestar solidariedade e planejar ações efetivas de ajuda ao país, assolado por um terremoto de magnitude 7, em 12 de janeiro e outros dois, de menor escala, subsequentes. Compuseram a comitiva: um brigadeiro, um embaixador, cinco deputados federais e um diretor da União Nacional dos Estudantes (UNE).
Nos primeiros dias após a hecatombe que se abateu sobre o Haiti, a ajuda emergencial estrangeira foi espontânea e universal. O impacto da catástrofe comprovou-se pelo extraordinário acúmulo de bens no aeroporto de Porto Príncipe e nos pontos de passagem de fronteira com a República Dominicana. Um imenso congestionamento inviabilizou a distribuição da ajuda.
Por Ricardo Seitenfus*, em Folha de S.Paulo
A reunião extraordinária da União de Nações Sul-Americanas (Unasul) para delinear sua estratégia de cooperação com o Haiti terminou nesta terça-feira, em Quito, com a aprovação de um fundo de US$ 300 milhões, que deve ser organizado ainda em fevereiro, e com o pedido que se perdoe a dívida ao país caribenho.
O presidente Lula, escolhido como o estadista do ano, poderia propor ao mundo a implantação de um programa Bolsa-Família Internacional para o Haiti.
Por Beto Almeida*, em Carta Maior
Presidentes e representantes dos países membros da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) se reúnem nesta terça-feira (09) em Quito para discutir a coordenação das ajudas humanitárias enviadas ao Haiti após o terremoto do último dia 12.