O jornalista André Caramante, da Folha de S.Paulo, que atua na área policial há 13 anos, foi afastado da redação por medida de segurança. Há cerca de três meses ele vem sofrendo ameaças após publicação da reportagem “Ex-chefe da Rota vira político e prega a violência no Facebook”. O Sindicato dos Jornalistas de S. Paulo exigiu providências ao governador. Já o deputado comunista Protógenes Queiroz defende apuração imediata do fato.
A escadaria da Catedral da Sé, no centro da capital paulista, foi ocupada nesta terça-feira (2) por um grupo de manifestantes. Eles lembraram os 20 anos do Massacre do Carandiru. Segundo a Polícia Militar, cerca de 80 pessoas participaram do ato, organizado pela Rede 2 de Outubro com a participação da Pastoral Carcerária e do movimento Mães de Maio.
Confrontos envolvendo a Polícia Militar (PM) de São Paulo provocaram a morte de 229 pessoas só no primeiro semestre deste ano. Os dados são da Ouvidoria da Polícia do Estado de São Paulo. Segundo o ouvidor, Luiz Gonzaga Dantas, o número representa crescimento até então, já que em 2011 438 pessoas morreram em confrontos com a polícia durante todo o ano.
Nos bairros “nobres”, arrastões e policiamento reforçado. Nas periferias carentes, mortes, clima de medo e abusos policiais. Este é o cenário que domina a cidade e o estado de São Paulo na atualidade. A milionária propaganda tucana sobre os avanços na segurança pública, que insinuava um paraíso na terra, foi para o ralo.
Por Altamiro Borges, em seu blog
Movimentos sociais que formam a Rede Dois de Outubro estiveram presentes no Fórum pelo Fim dos Massacres, realizado em São Paulo, com o objetivo de fomentar o resgate da memória do Massacre do Carandiru, que em 2012 completa 20 anos. Em entrevista, o Padre Valdir, da Pastoral Carcerária, e Carol Catini, da Rede Extremo Sul apontam os desdobramentos atuais da violência em São Paulo.
Deixou ontem a prisão um dos matadores mais conhecidos do país, depois de cumprir 27 anos de prisão. Cabo Bruno, como ficou conhecido o ex-PM Florisvaldo de Oliveira, 53, foi condenado a 120 anos em sete processos diferentes. Apesar de ser suspeito de envolvimento em mais de 50 assassinatos na década de 1980, nem a Promotoria, o Tribunal de Justiça ou sua defesa sabem ao certo quantas mortes foram incluídas nas condenações sofridas na Justiça.
A organização não governamental (ONG) Rio de Paz promove ato público nesta manhã em frente à Avenida Princesa Isabel, em Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro. O objetivo é protestar contra a mortes de pessoas inocentes, especialmente de crianças, em operações policiais nas favelas do Rio.
Em meio à escalada da violência registrada nos últimos meses, o Ministério Público Federal em São Paulo anunciou na quinta-feira 27 que pretende pedir à Justiça a saída do comando da Polícia Militar no estado. Segundo a Procuradoria, a cúpula pda polícia erdeu o controle sobre a tropa.
No final do mês de maio, o Conselho de Direitos Humanos da ONU sugeriu a pura e simples extinção da Polícia Militar no Brasil. Para vários membros do conselho (como Dinamarca, Espanha e Coreia do Sul), estava claro que a própria existência de uma polícia militar era uma aberração só explicável pela dificuldade crônica do Brasil de livrar-se das amarras institucionais produzidas pela ditadura.
Movimentos sociais se reuniram no vão do MASP para denunciar e protestar contra as mortes da população negra e pobre. Desde o começo de junho, aumentam as ocorrências. Os denunciantes apontam a "guerra" entre polícia militar e crime organizado e reclamam da falta de confiança na PM e da falta de seriedade com o tema dos meios de comunicação tradicionais.
A história de maio de 2006 passará a ser reeditada a partir de julho deste ano para uma parcela da sociedade. Há pouco mais de seis anos, familiares e amigos perderam pessoas queridas, vítimas de homicídios possivelmente praticados por PMs em resposta à onda de ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC) no Estado. Na terça-feira (3), a perícia confirmou que havia um projétil nos restos mortais do gari Edson Rogério Silva dos Santos, 29 anos, morto nos conflitos.
A Polícia Militar brasileira conseguiu a façanha de aumentar, ainda mais, sua péssima fama internacional. Reflexo da extrema violência praticada contra a população, pelas práticas de corrupção e de execuções extrajudiciais e por policiais envolvidos em grupos de extermínio e milícias.