Todo fascista é, antes de tudo, um medíocre. Mas considera esta constatação uma afronta — e reage violento. Evitar que esta passionalidade torne-se perene é um dos desafios centrais de hoje
Por Fran Alavina*, no portal Outras Palavras
Em artigo publicado no portal Sul21, o jurista Carlos Frederico Barcellos Guazzelli*, defensor público por 35 anos, professor e militante dos direitos humanos anuncia sua desistência da advocacia, mas diz que não pode se ausentar do debate neste momento e que deixa para os mais jovens a "tarefa imprescindível" de defesa dos valores do direito, "com razão e humanismo". E anuncia: o "Golpe que feriu de morte a democracia e a república", prepara o caminho para as violações – que virão logo!"
A Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC), do Ministério Público Federal (MPF), encaminhou na última terça-feira (6) aos governadores Geraldo Alckmin (PSDB), de São Paulo, e Francisco Dornelles (PP), do Rio de Janeiro, ofício no qual informa a abertura de procedimento administrativo para verificar denúncias de violações de direitos humanos por parte de órgãos de segurança pública durante protestos nos últimos dias nos dois estados.
O historiador e professor da Unicamp, Leandro Karnal, comentou por meio das redes sociais o clime de ódio e intolerância no país e a violência policial contra as manifestações pelo Fora Temer realizada nos últimos dias. Segundo ele, o Brasil deverá percorrer um longo caminha para "aprender a ser crítico sem destruir, aprender a ser policial sem cegar, aprender a discordar sem apoiar violência e, acima de tudo, aprender a dialogar".
Comandante de operações da Polícia Militar em diversas manifestações recentes em São Paulo, o tenente-coronel da PM Henrique Motta usou seu perfil no Facebook para ironizar a estudante Deborah Fabri, de 19 anos. Ferida por uma bomba da PM no protesto contra o governo Michel Temer na quarta-feira (31), em São Paulo, Fabri perdeu a visão do olho esquerdo. A postagem de Henrique Motta é um compartilhamento de um tweet publicado pela página Socialista de iPhone.
Após a ação truculenta da Polícia Militar de São Paulo, a Associação Juízes Para a Democracia divulgou uma nota em que expressa o "repúdio e contrariedade em face dos atos de violência e repressão que atentam contra o livre exercício do direito de livre manifestação" nos últimos dias após o impeachment e defende que o Ministério Público faça "o efetivo controle da atividade policial".
As acusações contra os 26 detidos não foram aceitas na audiência de custódia que ocorreu nesta segunda (5), em São Paulo. O juiz considerou ilegal a prisão dos manifestantes, segundo o advogado Marcelo Feller, que defendia os detidos: “O juiz disse que vivemos tempos difíceis para a nossa democracia, triste momento em que as pessoas têm de aguentar caladas e citou o direito à manifestação”.
O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), pedirá ao Ministério Público que apure se houve "violência desmedida" contra os manifestantes que foram às ruas de São Paulo neste domingo protestar contra o governo de Michel Temer, contra o golpe e em defesa de novas eleições já.
Atingida no rosto por bomba de efeito moral disparada pela Polícia Militar de São Paulo, durante ato no dia 31 de agosto, a desembargadora e ativista dos direitos humanos Kenarik Boujikian publicou artigo na página do Justificando no Facebook, em que rechaça a repressão policial contra os manifestantes. Kenarik sofreu um corte no supercílio, mas passa bem. Confira a íntegra do texto.
Representantes das frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo, o deputado estadual Paulo Teixeira (PT-SP) e o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) participaram de uma coletiva de imprensa no início da tarde desta segunda-feira (5), no Sindicato dos Jornalistas, na qual afirmaram que irão denunciar na Corte Interamericana de Direitos Humanos as ações arbitrárias da Polícia Militar de São Paulo. Eles também avisaram que não recuarão diante das investidas de repressão e medo.
Por Laís Gouveia
O senador Lindbergh Farias (PT/RJ), o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) e o ex-ministro Roberto Amaral foram alvo da violência policial na noite de ontem. Eles participavam do ato contra o governo Temer quando, ao final do protesto, sem qualquer motivo, a Polícia Militar atacou os manifestantes com gás lacrimogêneo e balas de borracha.
A luta em defesa da democracia encontra mais cada vez mais adeptos e sofre retalhações. Neste domingo (4), a Polícia Militar do estado de São Paulo, ordenada pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP), promoveu a prisão de 26 jovens de forma arbitrária e lançou bombas em manifestantes, jornalistas e transeuntes sem nenhum motivo que justificasse a ação truculenta. A episódio ocorreu durante a manifestação contra o golpe ocorrida na capital apaulista que contou com mais de 100 mil pessoas.