Talvez tenha sido o atestado de óbito mais alegremente exibido na história recente do país, saudado com uma intensa salva de palmas e lágrimas de emoção. Clarice, Ivo e Lucas, esposa, filho e neto de Vladimir Herzog, jornalista assassinado pela ditadura em 1975, não poderiam reagir de outra maneira.
A família de Vladimir Herzog recebe nesta sexta-feira (15) uma versão retificada do atestado de óbito do jornalista, morto em 1975, durante a ditadura militar. Na certidão, revisada após determinação da Justiça, passa a constar como causa da morte "lesões e maus tratos sofridos durante o interrogatório em dependência do 2º Exército (DOI-Codi)", que substitui formalmente a versão de "asfixia mecânica por enforcamento".
O Centro pela Justiça e o Direito Internacional (Cejil) anunciou nesta terça-feira (22), na capital paulista, que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) admitiu oficialmente o caso do jornalista Vladimir Herzog, assassinado durante a ditadura.
A 1ª promotora de Justiça de Registros Públicos da Capital, Elaine Garcia, disse à RBA hoje (17) que as mudanças realizadas no atestado de óbito do jornalista Vladimir Herzog "não favorecem a história nem a memória" de uma das vítimas mais conhecidas da ditadura brasileira. Vlado, como era conhecido, morreu em 1975 nas dependências do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações para Defesa Interna (DOI-Codi) em São Paulo.
O livro do jornalista e ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP), Audálio Dantas, "As duas guerras de Vlado Herzog: da Perseguição Nazista na Europa à Morte sob Tortura no Brasil", foi lançado na noite de terça-feira (13), no auditório da entidade, denominado Vladimir Herzog, exatamente em homenagem ao jornalista assassinado pelos militares nos porões da ditadura.
O Levante Popular da Juventude realizou neste domingo (11), juntamente com movimentos sociais de esquerda, um escracho público diante do apartamento do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marín.
Passados 44 dias desde que foi anunciada, a sentença que determinou a mudança no atestado de óbito do jornalista Vladimir Herzog, morto em 1975, no período da ditadura militar, ainda não pôde ser executada. A razão da espera é um recurso apresentado pelo Ministério Público Estadual, com o objetivo de impedir que conste do atestado que a morte de Herzog "decorreu de lesões e maus tratos sofridos em dependência do 2º Exército".
O juiz Márcio Martins Bonilha Filho, da 2ª Vara de Registros Públicos do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), determinou nesta segunda (24) a retificação do atestado de óbito do jornalista Vladimir Herzog, que morreu em 1975 na capital paulista. O atestado, emitido no período da ditadura, indicava que sua morte foi consequência de suicídio. Porém, por ordem da Justiça o atestado de óbito informará que a morte dele foi causada por maus-tratos.
“Eu não aguento mais. A minha paciência chegou ao limite”, desabafou Ivo Herzog, um dos dois filhos do jornalista Vladimir Herzog – torturado e assassinado nas dependências do DOI-Codi, em São Paulo, em 1975, ao relatar uma experiência particular recente, em meio à luta da família para obter do Estado brasileiro o reconhecimento da responsabilidade pela morte do pai.
Em resposta enviada no início deste mês à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, entidade da Organização dos Estados Americanos (OEA), o governo brasileiro informou que a Lei da Anistia impede que se abra no país uma investigação sobre o assassinato do jornalista Vladimir Herzog, o Vlado, ocorrida em 1975 por militares da ditadura brasileira. A resposta está contida em um documento sigiloso de pouco mais de 40 páginas.
Estão abertas, até 3 de agosto, as inscrições para o 34º Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos. Ele contempla trabalhos jornalísticos, em todas as mídias, que colaboram com a promoção da cidadania e dos direitos humanos e sociais. Em 2012, o prêmio comemora também os 75 anos do jornalista, morto pela ditadura nos anos 1970.
Paulo Egydio Martins, governador de São Paulo entre 1975 e 1979, afirmou, em entrevista à Globonews, que a morte do jornalista Vladimir Herzog, em 25 de outubro de 1975, não se deu por suicídio: “Se maquiou um suicídio! O suicídio foi maquiado! Não houve suicídio! Herzog foi assassinado dentro das dependências do 2º Exército na rua Tutóia, em São Paulo”, confessou.