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Aumenta risco de guerra civil na Costa do Marfim

A tensão e o risco de uma guerra civil persistem na Costa do Marfim, que se encontra à beira do caos com dois presidentes e dois primeiros-ministros. A comunidade internacional e a oposição tentam que Laurent Gbagbo deixe a Chefia do Estado – que exerceu nos dez últimos anos -, após considerá-lo derrotado nas eleições do dia 28 de novembro. Ele passaria, assim, o cargo para Alassane Ouattara.

No entanto, Gbagbo, designou um primeiro-ministro, Gilbert Marie Ngbo Ake, que nesta segunda-feira deve nomear um novo gabinete para substituir o de seu antecessor, Guillaume Soro.

Soro, líder das Forças Novas e primeiro-ministro no Governo de Coalizão com Gbagbo desde 2007, quando a guerra civil chegou ao fim, renunciou diante de Alassane Ouattara após reconhecer sua vitória eleitoral, assim como fez a comunidade internacional.

Ouattara voltou a designar como primeiro-ministro Soro, que nomeou um gabinete de 13 pastas, entre as quais reservou para si a de Defesa.

Enquanto isso, as Forças Armadas, leais a Gbagbo, abriram na manhã desta segunda-feira as fronteiras fechadas na quinta-feira após o anúncio do resultado pela Comissão Eleitoral Independente (CEI), que apontou que Ouattara, com 54% dos votos, tinha derrotado Gbagbo, que obteve 46%.

Posteriormente, o Conselho Constitucional, composto por aliados de Gbagbo, anulou os resultados em sete departamentos do norte, onde Ouattara tinha grande maioria, e reverteu os resultados, ao atribuir 51,5% dos votos a Gbagbo e 48,5% a Ouattara.

Durante a noite do domingo e a manhã desta segunda-feira, os protestos dos militantes de Ouattara contra a pretensão de Gbagbo de se manter no poder aumentaram. Em Issia, no sudoeste do país, sete pessoas morreram após os enfrentamentos entre partidários de Gbagbo e Ouattara, o que eleva a mais de 20 o número de vítimas da violência relacionada às eleições nas duas últimas semanas.

Na região norte, controlada pelas Forças Novas, os seguidores de Ouattara fizeram manifestações nas cidades de Bouaké, Seguela e Odienné em frente às sedes da Missão das Nações Unidas para Costa do Marfim (Onuci), para pedir que Gbagbo deixe o poder.

O enviado da União Africana, Thabo Mbeki, chegou na segunda-feira à Costa do Marfim e se reuniu com Ouattara e Gbagbo, além do chefe da Onuci, Choi Young-jin, e representantes da CEI e do Conselho Constitucional, dando sequência a seu trabalho para tentar evitar um novo conflito armado. Uma guerra civil dividiu o país entre 2002 e 2007 e arruinou um dos mais promissores Estados da África.

Com agências