USP: Mãe de estudante é detida por xingar PM

A mãe de um estudante da USP (Universidade de São Paulo) foi detida na tarde desta terça-feira (8) por xingar um policial militar durante a manifestação organizada em frente ao 91º Distrito Policial, para onde cerca de 70 estudantes detidos durante a reintegração de posse foram levados.


De acordo com o delegado Dejair Rodrigues, a mulher, que estava na delegacia por volta das 16h30, iria assinar um TC (Termo Circunstanciado) e seria liberada na sequência.

Os estudantes detidos na USP se recusam a prestar esclarecimentos à polícia. Todos passarão por exame de corpo de delito.

Ainda segundo o delegado, caso a fiança não seja paga, os alunos ficarão recolhidos no 91º Distrito Policial, na Gastão Vidigal, zona oeste de São Paulo.

Sindicatos arrecadam R$ 35 mil

Para tentar liberar os universitários, sindicatos de trabalhadores de diversas categorias do estado de São Paulo conseguiram arrecadar R$ 35 mil para pagar a fiança das 73 pessoas detidas durante a desocupação da reitoria.

O dinheiro será usado caso eles não sejam liberados pelo habeas corpus, já pedido pelo advogado Rodrigo Frateshi, que faz parte do grupo de defensores dos estudantes presos.

Devido à quantidade de pessoas, eles permanecem dentro dos veículos e descem em grupos para prestar depoimento.

Maus tratos

Após quase seis horas esperando nos ônibus, eles reclamam do calor, da falta de comida e de banheiro, e dizem que permanecer no ônibus é "tortura".

"A atuação foi brutal, uma presença muito forte e desproporcional. Para que agredir os estudantes, usando algemas? Os policiais quebraram várias portas da reitoria onde a gente nem tinha entrado. Temos consciência de que essa perseguição é política", disse Paulo Fávaro, 26, aluno de artes visuais.

Pais reclamam da polícia

Fora da delegacia, mães de alunos detidos também reclamam da polícia.

"Eu sou a favor de todas as reivindicações deles para coibir a ação truculenta da polícia. Meu filho não fuma maconha, não bebe, o único vício dele é tentar mudar o mundo", disse uma advogada, mãe de um estudante de ciências sociais.

Ele disse que o rapaz dormia dentro de um carro com a namorada, em frente à reitoria, quando a polícia chegou e o algemou. Ela diz que o filho foi agredido com um capacete e cortou o rosto.

Outra mãe, que espera notícias da filha estudante de história, diz apoiar o movimento. "Eu entrei dentro do prédio e depois de ouvir tudo que me contaram, eu acho que eles tiveram razão de ocupar a reitoria", afirmou.

Três estudantes são liberados

Segundo o delegado Dejair Rodrigues da 3º Seccional de São Paulo, as três pessoas liberadas não estavam envolvidas na invasão do prédio da universidade, ocorrida na madrugada do dia 2 de outubro.

Alguns pais que tentaram pagar a fiança dos filhos foram impedidos pelos próprios estudantes, que afirmaram só deixar a delegacia junto com os colegas.

"Tenho certeza que seu eu chegar pra ela, ela vai me falar: 'Ou sai todo mundo, ou não sai ninguém'", disse uma das mães que aguardam a liberação dos filhos.

Polícia promoveu quebra-quebra

Depois de operação truculenta que retirou os estudantes do prédio da reitoria, a polícia encontrou cadeiras reviradas, colchões e barracas espalhados, paredes desenhadas com frases contra a polícia militar, além de restos de comida.

Os estudantes afirmam que os policiais também quebraram vidros e arrombaram portas de salas em que a ocupação não havia entrado.

A polícia achou ainda sete bombas caseiras, chamadas de coquetel molotov, além de fogos sinalizadores em uma sala. O prédio, que estava ocupado por estudantes desde a quarta-feira (2), foi liberado por volta das 7h20.

Durante o confronto três policiais militares ficaram feridos e cinco viaturas foram danificadas, segundo a PM. Muitos estudantes mostram marcas de cassetete e outros ferimentos causados pela tropa de choque.

Em notas e cartas, sindicatos e entidadess estudantis afirmam que a USP lembra os tempos sombrios da ditadura militar.

Da Redação, com agências

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