Dilma diz que atentado contra Cid Gomes pode levar o país à violência

A ex-presidenta da República diz que quem atirou no senador sentia-se amparado na autoridade federal que apoia a violência e a elogia.

Por meio das redes sociais, a ex-presidenta da República, Dilma Rousseff, repudiou o atentado contra o senador licenciado Cid Gomes (PDT-CE). Ele foi baleado, na quarta-feira (19), em Sobral (CE), quando dirigia um trator em direção a um batalhão da Polícia Militar que fazia um motim.

“Repudio o atentado contra Cid Gomes. A tentativa de homicídio de um senador da República pode levar a um ambiente de descontrole e violência não apenas no Ceará, mas no país. Policiais armados e mascarados não são grevistas, são criminosos, e como tal devem ser detidos e punidos”, disse.

Segundo ela, vários estados registram indisciplina e abusos nas PMs, até com o apoio de autoridades, como no Rio de Janeiro e São Paulo.

“Quem atirou no senador sentia-se amparado na autoridade federal que apoia a violência e a elogia. Amplia essa percepção a relação com milicianos e a defesa da liberação de armas”, afirmou.

Na sua opinião, o governo incentiva a intolerância num clima de permanente conflito, que se expressa no repúdio à cultura, na criminalização da educação, no extermínio dos programas sociais, na liquidação dos direitos laborais e previdenciários, na destruição da Amazônia e dos povos indígenas.

“Acrescente-se ainda as manifestações favoráveis à tortura e aos torturadores e a mais descarada misoginia com que as mulheres estão sendo tratadas pelo presidente, como demonstra seu comportamento para com a deputada Maria do Rosário e com a jornalista Patrícia Campos Mello”, diz.

Para a ex-presidenta, o perigo é que uma crise de autoridade nos estados, com policiais amotinados, armados e aterrorizando a população, vire ingrediente para uma situação propícia a aventuras e golpes.

“Seria uma grave ameaça à democracia, produzindo a instabilidade política que leva às ditaduras”, finalizou.

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