Quando as armas falam

A polarização e a radicalização do Brasil chegam às raias do absurdo, do inaceitável e do imponderável.

Policiais encapuzados aterrorizaram a população cearense

A destruição do Estado Democrático de Direito, o deterioramento de princípios básicos civilizatórios e a boçalidade contaminam e envenenam como praga nossa sociedade.

Não há diálogo; não há proposta; não há projetos; não há grandeza; não há bom senso. O que há é o caminho do arbítrio e da radicalização, da captura de marginais e bandidos de nosso Estado.

Os atentados diários à nossa democracia, a Constituição cidadã de 1988 e as liberdades elementares são toleradas ou roucamente repudiadas sem eco, sem consequência.

As milícias avançam livremente, os ataques à imprensa são usuais, assim como a constante perda de direitos.

Faz-se, urgente, os homens públicos que têm responsabilidades com a democracia, com a pátria e com a civilização, sentem-se à mesa, sem arrogância e sem hegemonismo. Sem barganhas eleitoreiras para salvar o Brasil das armas.

O atentado sofrido pelo senador Cid Gomes (PDT-CE) é inadmissível para a democracia e para o Estado Democrático de Direito.

Não é imaginável e nem aceitável a captura – seja de uma cidade ou de um estado – por bandos armados com a “proteção” do Estado.

Aonde chegaremos?

O que mais precisa ocorrer contra a democracia?

Até que ponto toleraremos?

Nosso pretérito é farto de exemplos onde a ausência dos homens públicos verdadeiros deram lugar às armas e ao arbítrio.

Triste, Brasil, que vem perdendo o vigor civilizatório. A democracia esvaindo-se e os direitos, perdendo-se.

Minha solidariedade ao senador Cid Gomes e a todos aqueles que se sentem, também, ultrajados e agredidos pelos tempos sombrios que estamos enfrentando.

Vale repetir: quando os homens públicos não dialogam, as armas falam mais alto.

Bacharel em Direito

Pós-Graduado em Sociologia.

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