Bolsonaro mantém discurso genocida e chama governadores de criminosos

O presidente afirmou que vai conversar com ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, para mudar as orientações dada pela pasta sobre o isolamento social para o combate ao coronavírus.

(Reprodução do Faceboock)

Na saída do Palácio do Alvorada nesta quarta-feira (25), o presidente Jair Bolsonaro voltou a defender a reabertura do comércio, escolas e funcionamento normal das empresas.

Ou seja, ele reafirmou o que disse no pronunciamento de cadeia de rádio e tevê na noite desta terça-feira (24) contrariando as orientações do próprio Ministério da Saúde e na contramão do que vem sendo feito no mundo para preservar vidas.

Bolsonaro disse que que alguns governadores agem de forma criminosa ao impedir circulação de pessoas e veículos nas rodovias. Afirmou que se continuar a política de isolamento haverá um colapso na economia e a democracia estará em risco.

Disse que vai conversar nesta quarta-feira com ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, para mudar as orientações dada pela pasta sobre o isolamento social para o enfrentamento da pandemia do coronavírus.

Enganou-se ao dizer que o presidente dos EUA, Donald Trump, estava decidido a partir desta quarta-feira acabar com a quarentena naquele país. Um dos repórteres lhe informou que a decisão é após a páscoa.

“38 milhões de autônomos já foram atingidos. Se as empresas não produzirem não pagarão salários. Se a economia colapsar os servidores também não receberão. Devemos abrir o comércio e tudo fazer para preservar a saúde dos idosos e portadores de comorbidades”, afirmou Bolsonaro.

Bolsonaro disse que não está preocupado com sua popularidade. “Nós temos que tomar decisões nesse momento e acabar com o discurso de histeria”.

“Alguns poucos governadores, poucos, não são todos, em especial Rio e São Paulo, estão fazendo uma demagogia barata em cima disso, para esconder outros problemas. Se colocam junto à mídia como salvadores da Pátria, como o Messias que vai salvar o seu Estado e o Brasil do caos. Fazem política o [tempo] todo. Não é esse o caminho que o Brasil deve seguir. Povo brasileiro, esqueça se você não gosta de mim, olha a realidade”, afirmou.

Repercussão

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), sugere que no Twitter que mais uma vez Bolsonaro coloca a vida das pessoas em risco.

“Para salvar a economia não é necessário matar milhares de pessoas por coronavírus. Muitos países seguem recomendações dos profissionais de saúde. E, ao mesmo tempo, adotam medidas para proteger empresas e empregos. A virtude está no meio termo, não em extremismos agressivos”, argumentou o governador.

Flávio Dino diz que não existe incompatibilidade entre salvar vidas e proteger a economia. “Não há incompatibilidade entre uma coisa e outra. Somente não entendem isso os líderes que não conseguem caminhar e mascar chiclete ao mesmo tempo”.

O deputado Orlando Silva (PCdoB-SP) disse que num país tão desigual como o Brasil, “distanciamento social” exige uma renda básica para os mais pobres, para trabalhadores informais e autônomos.

“Ao invés de repercutir as sandices de Bolsonaro, o Congresso Nacional deveria encaminhar essas medidas”, propôs.

“De novo? Bolsonaro reafirma seu discurso de genocida logo pela manhã. Segue atacando os governadores, segue atacando o povo, a saúde. Precisamos vencer essa pandemia apesar de  Bolsonaro!”, disse o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP).

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