Economistas criticam governo e defendem medidas para a população
Associação Brasileira de Economistas pela Democracia (Abed) defende investimento massivo em saúde e medidas de estímulo econômico.
Publicado 27/03/2020 18:06 | Editado 27/03/2020 18:07

Em carta divulgada nesta sexta-feira (27), a Associação Brasileira de Economistas pela Democracia (Abed) criticou as medidas econômicas do governo de Jair Bolsonaro para enfrentar os impactos da pandemia do novo coronavírus. Segundo o documento, a equipe econômica demonstra “cegueira ideológica”, se recusando a tomar medidas para aliviar o impacto sobre a população vulnerável.
“No meio de uma das maiores crises econômicas e humanitárias da história, o governo anunciou apenas um conjunto vago de medidas, que são claramente insuficientes. Mais ainda, continua insistindo em reformas totalmente incapazes de reduzir os prejuízos iminentes da população”, diz a carta. Os economistas citam ainda a implementação de ações que favorecem aos bancos.
“A equipe econômica insiste em implementar ações que favorecem aos bancos, mas cujas únicas consequências serão o aumento da liquidez empoçada e o barateamento dos custos dos recursos utilizados nos empréstimos. Não se exige, em complemento, nenhuma contrapartida em termos de redução das taxas de juros. Ou seja, sob o pretexto de combater a crise, aumentam a lucratividade do sistema financeiro, permitindo que este, inclusive, reduza seu volume de operações sem perda da rentabilidade auferida”, aponta o documento.
A carta defende investimento massivo de recursos para a saúde pública, além de uma série de medidas para proteger a renda e o bem-estar das populações mais vulneráveis em meio à crise causada pela pandemia. Uma delas é a renda básica universal de um salário mínimo.
Os economistas querem, ainda, mecanismos de controle cambial para evitar a evasão de divisas desenfreada; a instituição do Imposto sobre Grandes Fortunas e do imposto sobre lucros dos bancos; uso dos bancos públicos para assegurar linhas de crédito de capital de giro sem juros para pequenas e médias empresas; ampliação de investimentos públicos, principalmente em infraestrutura e energia; criação de um programa amplo de investimentos em habitação popular, saneamento e saúde pública; retomada da atuação do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); revogação do teto de dados e suspensão da tramitação das medidas do Plano Mais Brasil.
O documento também defende uma mudança no arcabouço normativo fiscal, que impede a ampliação de gastos necessária para atender à população, bem como a realização de uma reforma tributária que reduza a tributação indireta (sobre o consumo), tornando o sistema mais progressivo.