O ataque do vírus a profissionais de saúde em SP e RJ

Um quarto dos profissionais de saúde da rede pública do estado do Rio de Janeiro apresentam taxas de infecção pelo coronavírus. Ao menos 3.346 profissionais dos principais hospitais privados e públicos da capital paulista já foram afastados por quadros de síndrome gripal ou respiratória, em pouco mais de um mês.

Equipamentos básicos de proteção contra a infecção do Covid-19 não estão sendo fornecidos nos hospitais brasileiros, atingindo em cheio os profissionais de saúde com a doença.

O impacto do contágio entre profissionais de saúde brasileiros é elevadíssimo, se comparado com o registrado em Espanha e Portugal —ambos de 20% —e ainda superior ao da Itália (15%).

Os dados levantados pelo jornal O Globo são de pesquisa de uma força-tarefa pioneira para testagem molecular de Sars-CoV-2, que reúne mais de 60 pesquisadores, médicos e enfermeiros da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Em São Paulo, o levantamento foi feito em cada um dos hospitais públicos e privados que têm atendido a maioria dos casos.

O alto percentual de infecção evidencia a falta de equipamentos de proteção (EPIs) para os profissionais e a ampla disseminação do coronavírus na população. Os profissionais de saúde estão vulneráveis porque muitos têm trabalhado sem os EPIs e em locais de grande aglomeração, os hospitais. Com isso, médicos sugerem que a contaminação entre a população seja bem maior que o comprovado pelos órgãos oficiais, já que os profissionais são mais cuidadosos que a população nas ruas.

O coronavírus está solto pelas cidades e muita gente não encara a doença com a gravidade que ela tem ao desrespeitar o isolamento. Tão absurdo quanto o avanço exponencial do contágio, criticam os médicos, é o descaso de parte da população. Quem não faz isolamento mostra descaso pelo sofrimento dentro dos hospitais ao se achar no direito de passear na praia, desrespeitando a quarentena.

Em São Paulo, além de concentrar a maior parte dos casos no país, os hospitais acumulam profissionais que precisam deixar o serviço no momento mais difícil, devido à contaminação. Dos mais de três mil afastados, 737 tiveram a Covid-19 confirmada.

O Conselho Federal de Enfermagem recebeu, até agora, 17 notificações de morte de profissionais por suspeita de Covid-19, oito das quais já tiveram diagnóstico confirmado. Três das mortes aconteceram em São Paulo, duas em Brasília, uma em Recife, uma em Mossoró (RN) e uma em Taubaté (SP). Metade das vítimas eram mulheres, metade homens.

Veja o levantamento feito em hospitais paulistanos:

Local Afastados Diagnósticos
Rede municipal de saúde 1.935  
Hospital Israelita Albert Einstein   348
Hospital das Clínicas da USP 233 108
Hospital Alemão Oswaldo Cruz 66 38
Hospital Sírio-Libanês 441 104
Hospitais São Camilo   33
Hospital Santa Marcelina 219  

Vetores de contágio

Atualmente, não há informações oficiais sobre a quantidade de profissionais de saúde infectados no país. Expostos ao risco de contaminação, eles podem se tornar vetores de contágio. Anteontem, dois médicos morreram por decorrência do Covid-19 no Rio.

Os profissionais entrevistados por O Globo estimam existir de sete a dez vezes mais casos que os notificados oficialmente. O tempo de espera está muito alto, pois demora cerca de sete dias até ter o resultado. Nesse meio tempo, a pessoa já se curou ou ficou em estado grave, o que não permite estabelecer medidas preventivas.

Veja no vídeo da BBC como se protegem os profissionais de saúde na Coreia do Sul:

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