Bolsonaro, apóstolo do caos e da ignorância

Bolsonaro, não é apenas um apedeuta na presidência, mas um eugenista, um nazifascista, que encontra nessa pandemia a “tempestade perfeita” para impor com mais força sua agenda de morte.

Foto: Reuters

Na segunda-feira (19), indivíduo que “mal votadamente” responde pelo posto de presidente da república fez uma observação impertinente (mais uma) sobre a condição irremediável a que está sujeita a população brasileira. Segundo o presidente “Não adianta fugir da realidade, 70% da população vai contrair essa doença, aceitemos”. É bom lembrar que, com cerca de 43 mil casos e 2,7 mil mortes até a presente data (22/04), o Brasil tem mais infecções por coronavírus do que qualquer outro país da América Latina. Sobrecarregado, o sistema de saúde começará a entrar em uma fase crítica até o final de abril.

Imaginemos em qual canal Bolsonaro “pescou” esse prognóstico; talvez de uma mensagem encaminhada no grupo de WhatsApp “Gabinete de Crise”, formado pelos filhos. Talvez, quem sabe, pegou o dado no ar durante alguma reunião ministerial. Enfim, jamais saberemos. O fato é que certamente ele, semiletrado que é, quis discorrer sem nenhum conhecimento de causa acerca de uma hipótese biológica conhecida como “imunidade de grupo”. O maior pecado do ignorante é se achar esclarecido.

O cenário, bastante discutido na biologia e na infectologia, consiste na ideia de que, em algum momento do ciclo epidemiológico, o grupo de infectados adquiriria o que a medicina chama de “memória imunológica”, consequentemente, o agente infeccioso (no caso, o vírus) pararia a sua disseminação pela incapacidade de encontrar indivíduos susceptíveis. Esse grupo de infectados corresponderia, estatisticamente, a um percentual entre 60% e 70 % da população amostrada. Essa abordagem como ação contra a epidemia de Covid-19, foi a tática inicial promovida pelo Governo Inglês, a grande “sacada” do primeiro ministro Boris Jhonson, confiando em seus achismos e certamente no robusto sistema de saúde britânico. O resultado foi um verdadeiro fracasso, que levou o Premiê a rever seus conceitos depois que os números associados aos percentuais de infectados para “sucesso” da sua estratégia, dada a população inglesa, levaria o sistema de saúde de seu país ao caos.

Dirão alguns, entre eles certamente o presidente, que o Brasil não é a Inglaterra. Definitivamente não é. O IBGE estima que a população brasileira é em torno de 210 milhões de indivíduos, contra 66 milhões do Reino Unido, brasileiros estes, divididos em inúmeras etnias em condições sociais e econômicas com profundo grau de complexidade e em sua maioria, socialmente vulneráveis. Ao citar o índice de 70%, o presidente não sabe e não quer saber, que esse percentual corresponde a aproximadamente 147 milhões de brasileiros.

O Brasil terá nos próximos meses dezenas de milhares de infectados e outros milhares de mortos. Há diversos estudos que estimam uma variedade de números dos quais não nos arriscamos a escolher nenhum. Mas todos apontam cenários de catástrofe. Em um desses estudos, publicado na revista “Science” no dia 14/04, cinco cientistas da Universidade Harvard afirmam que o distanciamento social para conter novo coronavírus pode ser necessário até 2022, ainda que de forma intermitente. 

Os hospitais já estão entrando em colapso, milhares de mortes são noticiadas, aumentando a cada dia e Bolsonaro age como se tratasse de um fenômeno “natural” aceitável, reiterando seu discurso eugenista sobre “proteger a economia” e tornar flexíveis as regras de isolamento. Acabou de demitir seu Ministro da Saúde por ter feito óbvio: adotar as medidas de segurança contra pandemia. Bolsonaro criou, em pleno avanço da doença, um clima de profunda instabilidade política, colidindo contra governadores, o poder executivo e o poder legislativo. O caos toma conta do país no meio de sua maior crise de saúde. Tudo isso em um país que é historicamente acometido por uma brutal desigualdade social e um alto nível de pobreza.  O grande temor é de que o Brasil alcance um recorde trágico entre os países em que mais se morreu em decorrência da Covid-19. Contudo, a esperança recai na ação consciente (e apavorada) do isolamento da população e no trabalho articulado e independente dos governadores e gestores municipais, que atuam à revelia dos desmandos do Palácio do Planalto.

O governo Bolsonaro segue na contramão da tendência mundial. Através de outro incapaz, seu ministro ultraliberal Paulo Guedes, tratou de propor medidas de apoio apenas para o empresariado. Uma delas, autorizou suspensão do contrato de trabalho por até quatro meses, com supressão de salário dos empregados. Só depois de muita pressão, voltou atrás.

Também pressionado pelo Congresso Nacional, foi obrigado a aprovar um pacote integrado de ações para enfrentar os impactos da crise causada pela pandemia. O principal deles prevê o pagamento de uma ajuda de custo no valor de 600 reais a famílias em situação de pobreza (a proposta original era de um terço desse valor).

O fato é que temos no Brasil dois grandes problemas: a Covid-19 e Bolsonaro. O próprio presidente faz campanha aberta para o fim do isolamento social, única forma de achatar a curva de infecção e minimizar o inevitável colapso na rede pública. Criminoso, tem se aproveitado do cenário de caos epidemiológico para produzir uma crise diplomática com a China (maior parceiro comercial do Brasil), tensões sociais, devastação ambiental (vide o caso da exoneração do diretor de fiscalização do Ibama), animosidade entre os poderes e conspiração contra a democracia. Essa última se manifestou em um único evento, no domingo, durante uma marcha em favor do AI-5 e pelo fim do isolamento social.

Bolsonaro, não é apenas um apedeuta na presidência, mas um eugenista, um nazifascista, que encontra nessa pandemia a “tempestade perfeita” para impor com mais força sua agenda de morte, lastreada em medidas antipopulares, de destruição do Estado, da natureza, das minorias e dos direitos dos trabalhadores. As carreatas estão aí para demonstrar o apoio de parcela doentia da burguesia brasileira, que buzina seus carrões, invocando seus empregados a arriscar suas vidas e de seus familiares apenas para garantir os lucros do patronato. Também há trabalhadores incautos. Todos se converteram em servos de uma seita medonha, movida pelo ódio, onde Bolsonaro se exalta como apóstolo do caos, da destruição e agora, mais do que nunca, em semideus da necropolítica.

Na mente confusa do chefe ingerente do executivo, 147 milhões de indivíduos, tais como soldados, enfrentarão a praga de peito aberto, segundo ele “como homens”. O desserviço oficial está no fato dele não esclarecer e muito menos propor estratégias, a exemplo: de como o sistema de saúde brasileiro suportaria, na melhor da hipóteses, 30 milhões de pacientes, que é em média , a quantidade correspondente a 20% dos infectados que evoluem para a condição grave e necessitada de leitos ou UTIs.

Bolsonaro faz lembrar James Warren “Jim” Jones, fundador da seita Templo dos Povos, que na década de 1970 conduziu ao suicídio coletivo 909 “fiéis”, um evento macabro até então jamais visto no mundo. O presidente ou “Jair Jones”, o apóstolo da ignorância, no caminho do genocida pastor estadunidense, definitivamente delira ao imaginar que alguém em sã consciência, manifestando sintomas não procuraria auxílio médico e, ao contrário disso, atenderia seu comando e aceitaria a própria sorte, inerte, para o “bem da nação e da economia”. É preciso pará-lo urgentemente! E a Constituição Federal (que não é ele) indica o caminho. Só falta coragem e vontade política para agir no momento certo.

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