É hora de união dos trabalhadores, por Davidson Magalhães

É um momento de muita dificuldade, desafiador, que vai exigir dos trabalhadores, cada vez mais, disposição de luta, unidade, firmeza, para enfrentar esta nova realidade pós-pandemia.

O 1º de Maio tem se configurado um marco histórico na afirmação dos trabalhadores e trabalhadoras como protagonistas do tecido social, peças fundamentais no processo de produção e geração de riqueza. Mas esse primeiro de maio é excepcionalmente um momento especial para a classe trabalhadora em todo o mundo. 

Em primeiro lugar é sempre bom destacar que, muito antes da pandemia do coronavírus, as transformações produtivas ocorridas ao longo das últimas décadas e o alto desenvolvimento tecnológico sob a direção e o controle do capital financeiro, precarizaram o trabalho e impuseram a perda dos direitos sociais. 

Sempre é bom ressaltar que, desde o governo Temer, agravado com a entrada em cena de Bolsonaro, o corte de direitos dos trabalhadores acentuou-se:  houve a nefasta reforma trabalhista, a terceirização desmedida, o fim do imposto sindical, a extinção do Ministério do Trabalho e até o fim do aumento real do salário mínimo, além do desmonte do aparelho produtivo e a entrega do Brasil ao capital internacional. 

Com a chegada da pandemia, as taxas de desemprego tornaram-se alarmantes em todo o planeta, e mais preocupante ainda em nosso país, pois já tínhamos nos últimos três anos um aumento substancial do desemprego e um crescimento raquítico da economia brasileira.  

Pois bem, além dessas dificuldades que a classe trabalhadora já enfrentava em todo o mundo, é a mais atingida neste momento de pandemia, afinal, são os trabalhadores – e o seu emprego- que acabam sendo as maiores vítimas das consequências da doença, com a paralisação brusca, generalizada e simultânea da economia mundial e com sérios reflexos no mundo do trabalho. 

No Brasil, o IBGE divulgou que a taxa de desemprego subiu para 12,2% no primeiro trimestre, na comparação com o último trimestre de 2019, atingindo 12,9 milhões de pessoas. Apenas no primeiro trimestre deste ano, 71 mil pessoas entraram com pedido de seguro-desemprego na Bahia. 

Estes números, destaque-se, são relativos aos três primeiros meses de 2020, portanto, anteriores à chegada da pandemia no país. De acordo com especialistas do IBGE, o número de desempregados pode até dobrar por conta dos impactos da crise do coronavírus na economia. 

É um momento de muita dificuldade, desafiador, que vai exigir dos trabalhadores, cada vez mais, disposição de luta, unidade, firmeza, para enfrentar esta nova realidade pós-pandemia. 

Mesmo que se lhe imponham dificuldades, nada pode deter a capacidade de organização do trabalhador. Foi assim ao longo do tempo. Será sempre assim enquanto houver quem busca a justiça social, a igualdade, os direitos e oportunidades de uma vida mais digna. 

É neste 1º. de Maio, diante deste cenário exposto, que precisamos ainda mais reafirmar a valorização do trabalho e do ser humano. Nós vamos superar tudo isso.  

Há alguns séculos, um grito universal foi dado e sinalizou o grande eixo, o desafio e o segredo que pode levar a classe trabalhadora a um outro patamar de vida e de realização: a união.

Este grito ainda continua forte e mais do que imprescindível, para que possamos ter motivos de orgulho e comemorar outros dias primeiros de maio, em outros cenários, que não sejam este, de degradação do trabalho e da pessoa, que estamos vivendo hoje. 

Trabalhadores do mundo, uni-vos!

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