A unidade democrática e popular e o projeto de nação

Nesse sentido, aos movimentos sociais em geral, cumpre um grande papel na representação dessas lutas em articulações que unifique o povo em torno de bandeiras unitárias que aponte uma saída democrática a atual crise sanitária, econômica, política e social que atinge todas e todos.

Foto: Tasso Marcelo/AFP

Quando analisamos a conjuntura nacional devemos considera os elementos da luta política em curso, os interesses de classe colocados no debate e as contradições nas classes dominantes, suas profundas contradições, os grupos em disputa pela condução do projeto do extrato de classe burguesa. É preciso também observar a capacidade da classe trabalhadora e camadas médias em alterar a correlação de forças e fazer as mudanças. A esse cenário soma-se a recessão econômica e a face horrenda desse grupo político que promove ataques às instituições da República, acentuam o racismo, retiram direitos sociais e ameaçam o retorno da ditadura militar. Caminham a passos acelerado para o fascismo.

Foi nesse contexto  que a ultradireita representada pelo atual governo federal realizou a reforma trabalhista e a previdenciária, que tiraram históricos direitos sociais da classe trabalhadora, e coloca em prática sua agenda ultraconservadora que objetivamente diminui o papel do estado, através do ajuste fiscal e da EC95 que ,proíbe o aumento dos gastos públicos com as políticas públicas estratégicas  a inclusão social e ao desenvolvimento social do país e sua soberania. É com a clareza dos nossos interesses de classe e dos nossos objetivos políticos que trabalhamos pela construção de uma frente ampla de caráter democrático-popular que aponte os elementos estruturantes para um outro projeto de nação. Construir um campo amplo de ação política independe da nossa vontade individual, sua construção é uma necessidade objetiva imposta pela realidade.

É estratégica a construção de um campo  mais largo  de caráter democrático-nacional para ajudar na longa resistência, a derrota  significativa do campo conservador demanda acumulação de força política e permanente mobilização social, considerando que a unidade do povo numa luta desse porte  é imprescindível, tanto para  derrotar os interesses de fundo do capital financeiro internacional quanto para assegurar passos mais decisivos ao longo da batalha que será extensa.

Nesse sentido, precisamos colocar no centro das nossas ações a constituição de uma frente em defesa dos direitos dos trabalhadores, dos direitos sociais, da democracia e da soberania nacional, esse deve ser o centro da reflexão da intervenção política na conjuntura por parte das articulações, frentes, fóruns  e movimentos sociais de caráter democrático, popular e  progressista .

Nessa conjuntura não podemos desconsiderar o controle dos conservadores sobre a mídia, no campo ideológico-cultural, econômico e jurídico, além de sua poderosa rede intrigas que através das fake news que vem patrocinando e articulando ações de instabilidade política em todo o território nacional. Essas investidas visam consolidar sua influência e somar aos seus objetivos estratégicos enquanto classe. Estes ingredientes tornam a situação nacional tensa devido às ameaças as instituições da República, à democracia e a soberania. Nesse cenário devemos observar a constituição de novos polos políticos em formação que podem alterar consideravelmente as zonas de influência e alterar a correlação de forças no país.

A situação nacional exige gestos de unidade diante da intensa luta política. A defesa da democracia é o centro gravitacional, a mobilização nacional na defesa dos direitos sociais e do progresso são os pontos de convergência daqueles que buscam a   unidade do povo através dos movimentos sociais. A constituição desse campo democrático em defesa do Brasil passa consequentemente pela formação de blocos políticos de caráter amplo, que reforcem a unidade nacional no enfrentamento aberto ao capital financeiro internacional, que reforce a luta pelo progresso e pela solidariedade nesse momento de recessão econômica, da perda de direitos e de ataques a democracia.

Nesse contexto é relevante destacar o papel das redes sociais e demais espaços de articulação democrática, além de alguns partidos de feição democrática e progressista que vem se posicionando contra o neoliberalismo no país, é possível reconfigurar o mapa político nacional colocando os interesses do povo acima dos interesses do mercado.

Por sua natureza libertária, não é exagero dizer que no Brasil vem se formando um importante polo de enfrentamento ao fascismo. Exemplo disto é a evolução da situação política com elevada politização das lutas em grande mobilização dos setores democráticos na defesa de suas conquistas históricas e recentes como as manifestações populares contra o autoritarismo e o fascismo. O fortalecimento da luta democrática no Brasil é fundamental na construção e consolidação de um campo democrático e popular de caráter amplo, que muito ajudará no enfrentamento da atual conjuntura com perspectivas de vitórias significativas, descortinando um período de avanços sociais.

A derrota dessa poderosa onda conservadora que vem desfigurando a Constituição Cidadã só será possível através de uma poderosa onda progressista que se proponha à defesa de questões centrais, como a valorização do trabalho, distribuição da renda, a garantia e ampliação de direitos para a classe trabalhadora. Que sinalize na construção de um outro projeto nacional de desenvolvimento social que tenha em seu centro a luta pela democracia e a soberania nacional.

A vitória das forças democráticas e populares no próximo período histórico passa necessariamente pela realização de jornadas de lutas, campanhas patrióticas, no planejamento de ações e de bandeiras unificadoras, como forma de valorizar esse rico patrimônio que são as organizações de lutas democráticas e populares. Graças à mobilização social nos últimos anos cresceu significativamente a consciência do povo por direitos fundamentais como: emprego, moradia, saúde, educação, transporte público de qualidade com tarifa acessível, saneamento básico, direito a energia, esporte e lazer, cultura, e as lutas contra as discriminações de gênero, raça, sexo, religião, idade e entre outras. Lutas em defesa dos direitos e da democracia.

Nesse sentido, aos movimentos sociais em geral, cumpre um grande papel na representação dessas lutas em articulações que unifique o povo em torno de bandeiras unitárias que aponte uma saída democrática a atual crise sanitária, econômica, política e social que atinge todas e todos. Importante destacar que inúmeros são os movimentos, entidades, lideranças políticas em ações desenvolvidas que servem a luta de inclusão social da população, que contribuem para despertar e elevar a consciência de classe da população nas lutas pelos seus direitos fundamentais.

Acredito que a construção da frente ampla que tenha a questão nacional na sua centralidade, será o espaço de articulação de forças consequentes, na construção de um olhar amplo, por compreender que esta rica página da história brasileira que a luta política atual está escrevendo, precisa ter o desfecho favorável aos verdadeiros patriotas. Essa conjuntura pode oferecer elementos importantes para nossa reflexão política, ajudar a enriquecer nossa visão estratégica e dar elementos para nossa elaboração teórica, podendo contribuir no grande debate na luta democrática e popular no Brasil e na América Latina.

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2 comentários para "A unidade democrática e popular e o projeto de nação"

  1. Antonino Almeida Pinheiro disse:

    Percebo que com a ascensão do governo Bolsonaro ao poder, através de estratégia habilmente elaborada através das redes sociais, se aproveitou do desejo de mudanças de muitos segmentos religiosos, políticos e das camadas menos favorecidas da sociedade brasileira. Muitos acreditam ser através de medidas radicais e autoritárias, desrespeitando as Leis e as instituições democráticas já estabelecidas, conseguirão utopicamente reconstruir uma sociedade justa e igualitária. Sem desmerecer o anseio de mudanças existentes no seio da sociedade direi, uma casa dividida não subsistirá. Construiremos sim, uma sociedade fraterna, igualitária com educação, segurança, saúde no pensamento e nos atos, trabalho digno, respeito e honestidade nos atos. Devemos combater idéias arbitrárias e não pessoas. Colocar o interesse da coletividade acima dos nossos mesquinhos interesses de poder, de enriquecimento ilícito, de hegemonia de uma classe sobre a outra. Combate-se uma idéia conservacionista com outra idéia progressista, não com armas ou desrespeito aos poderes arduamente construídos ao longo da história da democracia. O meu direito termina onde começa o do meu próximo. Esse é o momento de expurgarmos dos nossos pensamentos e das nossas instituições o incentivo à revolta e ao ódio, que podem se desviar para a destruição do que nossos antepassados e nós mesmos construímos no transcorrer das lutas estabelecidas. Portanto, é momento de ponderarmos maduramente e escolhermos o caminho da União, dos avanços, do progresso intelectual e moral da nossa própria história e nos tornarmos agentes de transformação para uma nova sociedade mais fraterna e igualitária.

  2. Eurico Fernandes da Silvafernandes disse:

    Neste em que defendemos uma frente ampla em defesa da democracia e da vida, vejo com a realização do processo eleitoral uma dificuldade de unificação destas Banderas de luta um vez que os partidos vai lutar pelos interesses próprios de sua sobrevivência o queque dispersa o fundamento da nossa estratégica e tatica do enfrentamento direto Bolsonario. Neste sentido sinto falta de uma palavra de ordem que unifique as massas trabalhadora e populares

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