Bolsonaro parte para ameaça por temer julgamento no TSE, dizem juízes

Integrantes do STF e TSE, ouvidos reservadamente pela Folha de S.Paulo, dizem que nota do presidente seria uma tentativa de intimidação por preocupação de cassação da chapa Bolsonaro-Mourão na corte eleitoral

(Foto: Evaristo Sa AFP CP Memória)

Magistrados do STF (Supremo Tribunal Federal) e do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) avaliam que a nota de Bolsonaro alertando que as Forças Armadas não cumprem “ordens absurdas e não aceitam tomada de poder por julgamento político” é uma tentativa de intimidação ao judiciário e ao mesmo tempo preocupação do governo com julgamento da chapa presidencial na corte eleitoral.

“Na avaliação na cúpula do Judiciário, o comunicado desta sexta-feira não leva a crise para outro patamar. Segue a aposta do presidente numa estratégia de disparar ameaças para demonstrar força junto a seus simpatizantes”, diz reportagem do jornal Folha de S.Paulo deste domingo (14).

Apesar da tentativa de intimidação, magistrados ouvidos reservadamente pelo jornal, dizem que a nota é parte da retórica construída por Bolsonaro, mas que o governo segue cumprindo as decisões do Judiciário.

Na sexta-feira (12), o ministro do STF Luiz Fux decidiu em liminar, numa ação do PDT, que as Forças Armadas não são poder moderador da República. No mesmo dia, Bolsonaro divulgou nota, assinada pelo vice Hamilton Mourão e pelo ministro da Defesa, Fernando Azevedo, ambos generais da reserva.

Para os integrantes ouvidos pelo jornal, a menção a “julgamentos políticos” é uma referência velada tanto ao STF quanto ao TSE. O fato de o vice-presidente ter assinado a nota, avaliam, também é um sinal de que há preocupação com a cassação na corte eleitoral.

O TSE analisa um processo que pode levar à cassação da chapa eleita em 2018. A ação foi aberta após a Folha revelar, durante o segundo turno das eleições, que correligionários de Bolsonaro dispararam, em massa, centenas de milhões de mensagens, prática vedada pelo TSE.

O esquema foi financiado por empresários sem a devida prestação de contas à Justiça Eleitoral, o que pode configurar crime de caixa dois.

Com informações da Folha

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