Professores denunciam contágios de Covid-19 em 80 escolas de Manaus

Primeiro estado a retomar aulas presenciais nas escolas, Amazonas tem greve de professores que denunciam contágios e descumprimento de protocolos sanitários nas escolas.

Foto: Eduardo Cavalcante, Seduc/AM

O último dia 10 de agosto foi a data em que a rede pública de ensino de Manaus retomou as atividades por determinação da Secretaria de Estado de Educação (Seduc-AM). No entanto, parte dos professores decidiu deflagrar greve por serem contra a volta às aulas durante a pandemia da Covid-19. Alguns dos grevistas contraíram a doença no início das aulas presenciais.

O estado do Amazonas, governado por Wilson Lima (PSC), foi o primeiro do País a reabrir escolas públicas. A capital Manaus também foi a primeira a reabrir as escolas particulares em 6 de julho.

Os professores denunciam os casos de contágio nas escolas, que tentam estabelecer protocolos de sanitização para evitar o contágio. Os professores e seu sindicato consideram as medidas inúteis na prática. As escolas não possuem janelas que permitam ventilação nas salas de aula. Têm apenas um banheiro para as meninas e um para os meninos, sem papel higiênico. Mesmo com o fracionamento dos estudantes, ocorre uma circulação mínima de 200 adolescentes diariamente, que ficam aglomerados nas salas, muitas vezes.

Contágio em crescimento

Segundo o Sindicato dos Professores e Pedagogos das Escolas Públicas do Ensino Básico de Manaus (Asprom -MA), mais de 80 escolas estaduais que retornaram às atividades têm ao menos um caso confirmado de Covid-19, o que dá uma média de 65% do total. 

A secretaria diz que a informação não procede. De acordo com informações da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), até a última sexta-feira (21/08), 162 servidores – a maioria, “casos isolados e unitários” – de 64 unidades de ensino testaram positivo para Covid-19, dos quais 139 com IgM e IgG positivos, o que indica que, embora já tenham anticorpos para a Covid-19, o vírus continua ativo. Ao todo, 534 foram testados.

Unidades de Ensino Médio com infectados estariam seguindo os protocolos de segurança em saúde: “Após a confirmação dos casos, as aulas são suspensas e uma nova desinfecção é realizada. As aulas retornam normalmente no dia seguinte, uma vez que desinfetado, o ambiente já pode ser ocupado, conforme a indicação dos órgãos de saúde”.

“Todos os profissionais com diagnóstico positivo foram afastados, por sete ou 14 dias, e estão tendo seu quadro de saúde monitorado”, diz a pasta. A secretaria de educação afirma ter iniciado testagem em massa no dia 18 de agosto, em parceria com a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), para os 15 mil servidores da rede pública. O agendamento para os testes pode ser feito pelo aplicativo Sasi.

Já o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Amazonas (Sinteam) protocolou uma representação junto ao Ministério Público do Amazonas (MP-AM) denunciando a existência de casos de Covid-19 em 34 escolas da rede pública em Manaus. Cópias dos exames foram anexados aos documentos. Segundo informações do site Amazonas Atual, a denúncia aponta 49 pessoas infectadas, entre professores e alunos, em unidades da rede pública e em colégios da Polícia Militar.

A greve tem o objetivo de pressionar o estado a recuar sobre a reabertura das escolas de Ensino Médio. Segundo informações da Secretaria de Estado da Educação (Seduc-AM), 123 escolas e mais de 83 mil estudantes retornaram às atividades na capital. A rede pública estadual possui 106.294 estudantes matriculados no Ensino Médio somente em Manaus.

O retorno das aulas presenciais para alunos do Ensino Fundamental estava previsto para essa segunda-feira, 24, mas o governo recuou. Mais de 100 escolas da rede devem adiar o retorno, sem data para a volta das atividades. “A retomada ocorrerá após a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM) validar os protocolos de saúde, que estão sendo implantados em todas as unidades”, afirmou secretaria em nota.

Protocolo sanitário

Além das medidas de distanciamento e redução do número de alunos por meio de rodízios, o manual de protocolo de saúde da rede estadual considera que os ambientes escolares devem ser limpos no mínimo duas vezes por turno; os tapetes sanitários devem ser instalados na porta de entrada e saída das escolas, o que não ocorre em algumas escolas. O documento também afirma que cada servidor/aluno deve receber a doação de duas máscaras de pano.

É mandatório que as escolas disponibilizem pias com água e/ou outro dispositivo para higienização correta das mãos, sabão, bem como toalha de papel para enxugá-las, e álcool gel a 70% em locais estratégicos. A manutenção dos ambientes ventilados também consta no documento. Outro ponto destaca a necessidade de verificação da temperatura dos alunos, educadores e servidores, sempre que necessário. Pessoas com temperatura acima de 37,8º não devem ficar na escola.

Na semana da volta às aulas em Manaus, estudantes da rede estadual foram às redes sociais criticar o tamanho das máscaras entregues pela secretaria. Por serem muito grandes, ficam largas e não garantem a proteção do nariz e boca dos estudantes, conforme orientações da saúde.

Segundo reportagem do G1, além de admitir falhas na entrega de algumas máscaras, a Seduc-Am afirmou que novos modelos seriam entregues sem ônus. O secretário de educação do estado, Luis Fabian, afirmou que proteções no tamanho P, M e G estariam disponíveis nas unidades de ensino a partir do dia 20 de agosto e poderiam ser trocadas.

Na ordem de pagamento disponível no Diário Oficial do Estado consta a aquisição de 920.059 máscaras de tamanho único, no valor de 2.392 milhões. Na etiqueta das máscaras, bem como no portal da Transparência do estado do Amazonas, a Nilcatex Têxtil aparece como responsável pela fabricação dos itens. A empresa não é do estado, mas sediada em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, o que é criticado pelo deputado estadual Dermilson Carvalho das Chagas (PP).

 “O estado do Amazonas tem cerca de 50 empresas do setor têxtil. Como justificar essa compra fora da praça em um momento de desemprego e dificuldade econômica?”, questiona o parlamentar. Chagas diz que, até o momento, não tem notícias da troca das máscaras nas escolas. Ele também denunciou irregularidades na compra de uniformes escolares envolvendo a mesma empresa.

Segundo a pasta, o material foi adquirido por meio de Licitação Pública Nacional (LPN), tendo como fonte recursos do Banco Interamericano do Desenvolvimento (BID), com participação no processo licitatório de empresas de todo país. “A Secretaria de Estado de Educação informa que não pagou pelas máscaras com desconformidades de tamanho distribuídas na rede estadual de ensino”, afirmou, em nota.

Com informações de Carta Capital

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