Posição firme, amplitude máxima.

Nestas eleições vimos nas urnas alguns sinais importantes para entender quais decisões precisamos tomar para derrotar Bolsonaro e sua política […]

Por Caio Yuji*

Nestas eleições vimos nas urnas alguns sinais importantes para entender quais decisões precisamos tomar para derrotar Bolsonaro e sua política obscurantista e anti-civilizatória. Primeiro pontuar que ainda é recente em nossa história todo imbróglio que rompeu com o período democrático no país e elegeu o atual governo, portanto considero que estamos em um momento de defensiva e acúmulo de forças. 

Não devemos nos desesperar diante dos resultados deste último pleito, é preciso sagacidade para avaliar e entender as indagações do povo brasileiro diante de uma profunda crise política, econômica e sanitária.

Durante a pandemia, Bolsonaro e seus aliados assumiram a postura de agitadores no tema “gestão das cidades contra o Covid-19”, radicalizaram contra recomendações de saúde e até agora tentam desacelerar a chegada da vacina. 

Prefeitos mais moderados que se afastaram do Bolsonarismo e tomaram decisões equilibradas durante o ápice do contágio tiveram bons resultados eleitorais.

Outro elemento que se apresenta para reflexão é o resultado das coligações formadas apenas por partidos de esquerda, apesar da firmeza em levantar bandeiras para romper profundamente com a desigualdade social e terem conseguido chegar ao segundo turno em capitais importantes, ainda se colocavam como polo oposto e extremo ao de Bolsonaro. 

Na capital de São Paulo Guilherme Boulos (PSOL) protagonizou uma campanha totalmente de esquerda, pujante e moderna que conseguiu vocalizar os anseios de muitos eleitores, porém não teve êxito em derrotar Bruno Covas (PSDB) que se afastou do Bolsonarismo transmitindo ser equilibrado para lidar com os problemas da cidade sem cair no “Fla x Flu”.

Esse tipo de provocação tem apenas o objetivo de auxiliar na construção de um raciocínio potente para enfrentar Jair Bolsonaro em 2022 e impedir sua reeleição. 

Ao examinar estes resultados é dado que a oposição formada apenas pela esquerda não vencerá Bolsonaro.

Porém sem os principais partidos de esquerda convictos de um projeto unitário e agindo em conjunto em busca de ampliar o campo democrático será praticamente impossível. 

É preciso ter firmeza no que defendemos e fazer um enfrentamento feroz contra o Governo, também é necessário ter a grandeza para enxergar nossas limitações eleitorais.  Apenas com amplitude máxima dialogando com partidos de centro e até mesmo centro-direita, que acima de tudo tenham valores democráticos, poderemos acumular força suficiente e apresentar um programa civilizatório para o país.

Vale destacar o caso de Pernambuco que elegeu João Campos (PSB) e a Frente Popular de Recife com 12 partidos em sua composição.

O Brasil por enquanto não quer saídas extremas, até porque Bolsonaro é o suprassumo da radicalidade e este é o termômetro. 

Apenas com um debate sério de país vamos atrair novos setores para o mesmo raciocínio, assim como podemos jogá-los no colo do presidente e entregar sua reeleição. 

A Frente Ampla se faz cada dia mais necessária para barrar o retrocesso e retomar o caminho da soberania nacional.

*Caio Yuji é presidente da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE SP)