Com óbitos crescendo em todo o país, Maranhão é único estado em queda

Covid-19: Brasil acumula 7,16 milhões de casos e 185,6 mil mortes. Desde ontem foram registradas 823 mortes pela doença

Em junho, Flávio Dino inaugurou em cerimônia virtual o Hospital Regional de Viana (MA)

Pela primeira vez, apenas um estado apresenta queda de mortes pela Covid-19 em todo o país. Com aceleração em 18 unidades da federação e crescimento mais lento no Amazonas, no Acre, no Espírito Santo e em Pernambuco, apenas o estado nordestino do Maranhão apresenta queda de 20% no registro de óbitos por Covid-19.

Esta tendência consistente de queda tem se mantido desde o início de agosto, quatro meses atrás, quando a média era de quase 40 mortes diárias, do final de junho até agosto, caindo para uma média de 10 em meados de setembro. Agora, em dezembro, a Secretaria de Saúde soma apenas cinco casos diários, em média, em todo o estado.

Maioria das curvas epidemiológicas da Covid-19 nos Estados apresenta planalto, com nova onda de crescimento acelerado, em vez da planície de queda do Maranhão.
Maioria dos Estados com aceleração de mortes por Covid-19 apresentam curva de segunda onda crescente, enquanto o Maranhão mantém queda consistente.

Em entrevista exclusiva ao portal Vermelho, no último dia 10, o governador Flávio Dino (PCdoB) apontou o que seu governo tem feito para garantir estes resultados e evitar uma segunda onda de contágios. Ele observa que, mesmo com o crescimento de contágios, é possível reduzir o número de agravamentos da doença, garantindo investimento em rede de atendimento. A falta de profissionais especializados e leitos de UTI é considerado o maior motivo da alta letalidade da doença.

O governador conta que ampliou a rede de saúde, chegando a inaugurar 13 unidades de saúde em doze semanas, no auge da pandemia. Aumentou em 30% a 40% dos gastos com saúde, durante a pandemia. “Hoje, temos uma oferta de rede de atendimento bastante ampla. Notamos uma melhoria da qualidade do manejo desses casos pelos profissionais de saúde com a curva de aprendizado dessa situação nova”.

No hospital de referência para Covid-19, Carlos Macieira, ele diz ter ouvido o diretor contar que faz oito dias que não morria uma única pessoa desta doença. “Chegamos a ter dez óbitos em um dia, neste hospital, o que mostra que há um aprimoramento e qualificação dos profissionais”, analisa.

Mas ele diz que não está acomodado com o que fez, não descartando o risco de uma segunda onda de aceleração da pandemia. Acabou de autorizar turnos ininterruptos de 24 horas e sete dias na semana para inaugurar uma obra hospitalar em janeiro, em vez de fevereiro. “Estou sendo prudente, porque se vejo que o mapa do Brasil está ficando todo revelador de trajetória de crescimento, tenho que me preparar para o pior. Nunca parei de inaugurar obra de saúde, desde abril”, garante o governador maranhense.

Flávio Dino fez um depoimento pessoal ao confessar o esforço para salvar vidas. “Deus é testemunha do meu esforço desesperado, obstinado, noites e noites que fiquei sem dormir atrás de leito, imaginando como requisitar hospital, como fazer parceira com  setor privado. Aluguei três UTIs aéreas para ficar voando, cortando o Maranhão, transportando paciente de um lado para outro. Consegui UTIs móveis, ambulâncias do setor privado. Conseguimos um resultado que não é perfeito, mas reconhecido nacionalmente como sério”, declarou.

Flávio Dino passou a pandemia inaugurando hospitais virtualmente. Com obras avançadas, o Hospital da Ilha, na capital, terá 400 novos leitos com investimento de R$ 195 milhões.

Brasil no alerta vermelho

O número de vidas perdidas para a Covid-19 chegou a 185.650. Nas 24 horas desde o boletim de ontem, foram registradas 823 mortes, número menor as 24 horas anteriores, quando o acréscimo às estatísticas foi de 1.092, batendo a marca dos 1 mil que não ocorria desde setembro. Ainda há 2.253 mortes em investigação.

Com isso, segundo cálculo do consórcio da imprensa, a média móvel de mortes no Brasil nos últimos 7 dias foi de 748 — valor que se iguala à média registrada em 21 de setembro. A variação foi de +29% em comparação à média de 14 dias atrás, indicando tendência de alta nos óbitos pela doença.

Os dados estão na atualização diária do Ministério da Saúde, divulgada na noite desta sexta-feira (18). O balanço é formado a partir das informações enviadas pelas secretarias de saúde dos estados.

Antes do fechamento da semana, neste sábado, a curva epidemiológica de óbitos já ultrapassou o crescimento da semana anterior. A curva de contágios ainda não confirmou crescimento, com dados desta sexta.

O número de pessoas infectadas desde o início da pandemia somou 7.162.978. Desde ontem foram registrados 52.544 novos diagnósticos positivos de covid-19. 

A média móvel nos últimos 7 dias foi de 46.800 novos diagnósticos por dia. Isso representa uma variação de +14% em relação aos casos registrados em duas semanas, o que indica tendência de estabilidade nos diagnósticos.

Boletim Epidemiológico da Covid-19 publicado pelo Ministério da Saúde ontem indica aumento de 6% no número de infectados e de 11% nas mortes por covid-19. 

Ainda conforme a atualização do órgão, há 779.143 pacientes em acompanhamento. Outras 6.198.185 se recuperaram da infecção.  

Estados

A lista dos estados com mais mortes pela covid-19 é encabeçada por São Paulo (44.878), Rio de Janeiro (24.351), Minas Gerais (11.009), Ceará (9.903) e Pernambuco (9.383). As Unidades da Federação com menos óbitos pela doença são Acre (757), Roraima (769), Amapá (864), dado referente a ontem, Tocantins (1.212) e Rondônia (1.689).

17 estados e o DF apresentaram alta na média móvel de mortes: PR, RS, SC, MG, RJ, SP, DF, GO, MS, MT, PA, RO, AL, BA, CE, PB, RN e SE. Ainda, pela primeira vez desde o começo do cálculo do consórcio, apenas o estado do Maranhão está com a média móvel em queda.

  • Subindo (17 estados + o DF): PR, RS, SC, MG, RJ, SP, DF, GO, MS, MT, PA, RO, AL, BA, CE, PB, RN e SE
  • Em estabilidade, ou seja, o número de mortes não caiu nem subiu significativamente (7 estados): ES, AC, AM, RR, TO, PE, PI
  • Em queda (1 estado): MA
  • Não divulgou (1 estado): AP

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