Ministro da “logística” só garante 2,4% das seringas para vacinação

O governo Bolsonaro continua sua escalada de irresponsabilidade e descaso com a vida dos brasileiros, sabotando a vacina contra o coronavírus.

Eduardo Pazuello e Jair Bolsonaro - Foto: Carolina Antunes/PR

A primeira tentativa do governo brasileiro de adquirir seringas e agulhas para a vacinação contra a Covid-19 foi um fracasso. Enquanto isso, diversos países estão em avançado processo de imunização. No mundo, mais de 4 milhões de pessoas já foram vacinadas em mais de 42 países.

O Ministério da Saúde, que é chefiado por Eduardo Pazuello, apresentado por Bolsonaro como um “especialista em logistíca”, lançou na última quarta-feira (29) um pregão online que pretendia adquirir 331 milhões de unidades de seringas e agulhas para o ainda obscuro calendário de vacinação no país. Apenas 7,9 milhões foram adquiridas – o que corresponde a apenas 2,4% do total.

A frustração da compra se deu porque o preço cobrado pelas empresas ficou acima do valor estimado pelos técnicos do governo. O edital, publicado com grande atraso no dia 16 de dezembro, previa a compra do produto em quatro diferentes especificações, com critério de menor preço observadas as exigências técnicas.

Em um dos lotes, o preço estimado pelo ministério para a seringa/agulha foi de R$ 0,13, mas a empresa interessada cobrou R$ 0,22. Em outro, o valor de referência era R$ 0,18, mas três fornecedores apresentaram propostas entre R$ 0,23 e R$ 0,42.

Na saída de uma entrevista à imprensa, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Elcio Franco, apenas negou que tivesse havido fracasso e não informou data para o nova licitação.

A compra de agulhas e seringas costuma ser realizada por Estados e municípios – mas durante a pandemia, o Ministério da Saúde decidiu centralizar a compra dos insumos. Além da licitação, a previsão é adquirir 40 milhões de unidades junto à Opas (Organização Pan-Americana de Saúde).

A previsão do ministro Eduardo Pazuello é iniciar a vacinação contra a Covid-19 em fevereiro – ainda a depender do aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Por conta da negligência e atrasos do Ministério – e sob o risco de desabastecimento e restrições de importação do produto – o Estado de São Paulo deu início a uma corrida para tentar garantir, em paralelo, os insumos necessários para a imunização da população do Estado.

Repercussão

Sobre o fracasso do governo no combate à pandemia, o governador da Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), escreveu no Twitter: “Desastres bolsonaristas: acabou o auxílio emergencial e não começou a vacinação. Rara combinação de insensibilidade com incompetência”.

O ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes (PDT) afirmou que o governo está “completamente perdido!”. “O Ministério da Saúde não tem plano nem competência para comprar sequer as seringas necessárias para vacinar nosso povo. Enquanto isto, toneladas de cloroquina foram compradas sem comprovação científica e com preço SEIS VEZES maior que o valor real”.

O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) escreveu no Twitter que o “negacionismo da vacina tem um objetivo, esconder a inépcia e incompetência do Ministério da Saúde”. “Não temos vacina, não temos seringas, não temos insumos, não temos governo! Ministério da Saúde só consegue comprar 2,4% das seringas em licitação”.

O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) disse que “Bolsonaro acha 200 mil mortos pouco, quer o título de genocida do século”. “Quando tiver vacina, não vai ter seringa. Está realmente empenhado em destruir o país”, declarou.

Alerta

A Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratórios (Abimo) afirma que alertou pela primeira vez o ministério ainda em julho sobre o planejamento da compra de insumos para a vacinação.

Para Paulo Henrique Fracarro, superintendente da entidade, a indústria nacional teria condições de oferecer a metade das seringas previstas – condicionado ao lance mínimo.

Fonte: Hora do Povo

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