Veja como foi a evolução da pandemia no Brasil em 2020

Após permanecer durante três meses no pico de casos e mortes, houve uma lenta queda que chega ao final do ano com aceleração de uma segunda onda e dados preocupantes.

Rio de Janeiro RJ 31 12 2020-Praia movimentada no Leblon no último dia do ano, apesar das restrições e fiscalização da Prefeitura, e do cancelamento da festa de Réveillon fto Fernando Frazão -Agencia Brasil

Há um ano, a OMS emitia o –primeiro alerta sobre uma pneumonia misteriosa notificada pelas autoridades chinesas em Wuhan. De lá pra cá o mundo acompanhou a evolução assustadora de casos e mortes com variações entre os países, conforme os governos enfrentavam a pandemia com medidas mais rígidas de confinamento ou negavam a gravidade da doença.

Aqui no Brasil, fechamos 2020 com quase 195 mil óbitos. Somos um dos países com os piores índices do mundo em termos de impacto da pandemia, devido à sabotagem do governo Bolsonaro às medidas de controle da circulação do vírus.

Analisando as curvas epidemiológicas da pandemia, desde seu início no Brasil, observamos um avanço muito rápido de casos e óbitos. Diferente da curva de outros países que tiveram aceleração rápida para cima seguida de queda drástica, no Brasil, permanecemos por mais de três meses na alta média de mais de 900 mortes diárias, formando um platô inédito no mundo.

Do primeiro caso registrado no Brasil em 26 de fevereiro, até atingirmos um milhão de infectados, em 19 de junho, foram quase quatro meses, devido à quarentena mais rigorosa imposta à população. Menos de um mês depois, em 16 de julho, chegamos a dois milhões de casos, mantendo essa proporção até outubro, quando atingimos 5 milhões de doentes.

Entre 5 e 6 milhões, o intervalo foi de 40 dias, causando uma esperança de que a pandemia estivesse arrefecendo, com possibilidade de controle. No entanto, os sete milhões foram alcançados em menos de um mês, em 16 de dezembro.

A primeira morte ocorreu no dia 17 de março, vinte dias depois do primeiro caso. Foram três meses para chegar aos 50 mil mortos em 20 de junho e dois meses para dobrar o número de óbitos em 8 de agosto e mais dois meses para os 150 mil em 10 de outubro. Para chegar aos atuais 195 mil mortos, houve uma desaceleração de dois meses e meio.

Média móvel

A média móvel é importante para evitar variações bruscas de um dia para o outro, considerando apenas o cálculo a cada sete dias. Finais de semana e início costumam ter registros abaixo da realidade, que são corrigidos nos dias seguintes pelas Secretarias Estaduais de Saúde.

Desta forma, até o início de junho, tínhamos uma média de 25 mil casos por dia. No final de junho já eram mais de 30 mil infecções diárias e 40 mil em julho e agosto. No início de novembro, chegamos ao menor patamar de contágios do ano com cerca de 16 mil casos diários.

Depois desta redução otimista, a aceleração foi rápida novamente com mais de 47 mil casos na última semana de dezembro, patamar superior ao do pico no meio do ano.

A média de mortes foi ainda mais acelerada, com mais de 900 mortes em menos de dois meses. Permanecemos por mais de três meses nesta alta média de mortes diárias. A chegada ao mínimo de 319 mortes diárias em 11 de novembro, foi lenta, retomando o crescimento acelerado. Em um mês chegamos novamente a quase 800 óbitos diários.

Números atuais

Já é o terceiro dia acumulando mais de mil pessoas que não resistiram à covid-19, como se estivéssemos novamente no pico. A média é de 706 por dia, o que representa estabilidade de -6% em relação a 14 dias atrás.

A média de casos está em 36 mil doentes registrados diariamente, o que significa uma queda de 23% na comparação com duas semanas atrás.

Norte e Centro-Oeste são, hoje, as regiões com maior aceleração de mortes, com +79% de aumento no Amazonas. Alagoas, no Nordeste, também tem aceleração de +63%, sendo o único estado do Nordeste com esse perfil. São nove estados com descontrole da pandemia.

Apenas cinco estados estão com queda de mortes, com o Ceará apresentando o maior índice de queda, de -70%, seguindo de Goiás, com -51%. Tocantins, Roraima e Paraná também apresentam queda.

O consórcio da imprensa começou em 9 de julho a calcular as médias móveis. Desde então, observou que 10 estados apresentavam alta na média de mortes. A trajetória de quedas foi até 6 de setembro, quando apenas um estado apresentava alta. Esta média baixa permaneceu até novembro, quando começou nova aceleração, chegando ao pico de 22 estados com descontrole no número de mortes em 10 de dezembro. Até o fim do ano, houve queda ao patamar de 8 estados em crise.

Os estados com queda de mortes eram apenas 9 no início da medição. Esse número era de 19 estados na primeira semana de setembro. Houve bastante oscilação, desde então, chegando, agora, durante todo o mês de dezembro com média de apenas cinco estados com controle de óbitos.

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