Inflação da indústria acumula maiores altas desde 2014

Em novembro de 2020, houve alta na variação média de preços em 19 das 24 atividades analisadas em comparação com o mês anterior.

Trabalhadores em indústria de alimentos -Foto: O Presente

Os preços industriais aumentaram 1,39% em novembro na comparação com outubro de 2020, conforme o Índice de Preços ao Produtor (IPP), divulgado nesta terça-feira (5) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No acumulado do ano e de 12 meses até novembro a elevação atingiu 18,92% e 19,69%, respectivamente. As duas altas são as maiores já registradas para a série histórica do IBGE, que começou em 2014.

O IPP mede a variação dos preços de produtos na “porta da fábrica”, sem impostos e frete, de 24 atividades das indústrias extrativas e da transformação. Em novembro, houve alta na variação média de preços em 19 das 24 atividades analisadas em comparação com o mês anterior.

A principal responsável pela elevação do índice foi a atividade alimentar (2,76%), que registrou o quinto aumento consecutivo em novembro. Os alimentos têm o maior impacto sobre o índice, respondendo por aproximadamente 25% do IPP.

No acumulado do ano, os custos da atividade alimentar subiram 32% entre janeiro e novembro de 2020. Segundo Manuel Souza Neto, gerente do IPP, é a maior elevação desde 2010. Já nos 12 meses encerrados em novembro do ano passado, a variação positiva acumulada ficou em 35,19%.

Segundo Souza Neto, apesar de um recuo de 3,7% do dólar em novembro na comparação com outubro, o mercado externo continuou impactando os preços do setor de alimentos. Além disso, questões internas como clima, impactos da pandemia sobre a demanda e entressafra também impactaram os preços de produtos como leite, derivados da soja e cana-de-açúcar, em um cenário de elevação de preços no exterior.

Vale lembrar ainda que desde 2016 há uma desmobilização da política de estoques reguladores. Os estoques estratégicos de alimentos permitiam ao governo federal atuar em momentos de crise ou escassez, a fim de evitar desequilíbrio de preços ou desabastecimento. Ao lado da alta do dólar, esta tem sido apontada como uma das causas da inflação dos alimentos.

A própria oferta no mercado externo está menor devido ao fato de outros governos terem limitado a exportação de alimentos – Índia e Tailândia, por exemplo – priorizando a segurança alimentar de seus povos na pandemia.

Além de alimentos, as maiores variações do IPP frente a outubro foram observadas em móveis (4,03%) e borracha e plástico (3,58%). A atividade de refino de petróleo e produtos de álcool registrou variação positiva pelo segundo mês consecutivo, de 1,91% na comparação com o mês anterior.

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