Brasil teve 24% a mais de mortes do que o esperado em 2020

Considerando o número de anos anteriores, a estimativa previa 200 mil mortes a menos em um cenário sem pandemia.

Foto: Fabio Motta | O Globo

Um argumento das bases bolsonaristas é que a Covid-19 não matou mais do que as gripes habituais que circulam no Brasil. O estudo estatístico de pesquisadores consultados pelo Conass (Conselho Nacional de Secretários de Saúde) encerra qualquer discussão nesse sentido. O número de óbitos registrados de março a novembro de 2020 foi 24% maior do que o estimado.

O período considerado é de 15 de março – quando ocorreu a primeira morte por coronavírus no país – a 21 de novembro, último dado disponível. A estimativa de mortes esperadas em 2020 nesse período, elaborada a partir dos registros do SUS de 2015 a 2019, era de 849.888 mortes. Com a pandemia, os cartórios registraram 1.036.940 óbitos. A diferença é de 200.270 a mais do que o previsto.

Os números do cartório são historicamente subnotificados em relação ao SUS, e, por isso, foi utilizada a informação do sistema de saúde público para a previsão. Para efeito de comparação, foram aplicadas correções estatísticas.

Todos os estados apresentaram mais mortes do que o esperado.

Subnotificação

Considerando a diferença de 200.270 a mais que o previsto com base em anos sem pandemia, é possível dizer que a Covid-19 é a grande responsável pelo aumento de óbitos. Segundo o Ministério da Saúde, o total de mortes por coronavírus até 21 de novembro era de 168.989. A discrepância de 31.281 registros indica que houve muitas mortes não identificadas corretamente.

Não apenas a subnotificação justifica a diferença. É preciso considerar que o atendimento a outras doenças foi prejudicado por falta de pessoal e equipamentos, além dos números do cartório e do Ministério da Saúde apresentarem distinções. Prazos legais, classificação e desorganização são alguns motivos para os dados não baterem. Mesmo assim, se consultadas com atenção devida, as duas fontes são válidas.

Para a comparação, os pesquisadores fizeram as correções estatísticas necessárias e descartaram os dados mais recentes, pois ainda careciam de revisão. A atualização dos números, com registros póstumos, deve aumentar ainda mais o valor.

Para consultar a nota técnica do levantamento que explica a metodologia, clique aqui.

Com informações de Poder360

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