Pedro Castillo garante respeito à democracia no Peru

O professor da área rural e líder sindical mantém dianteira com 99,8% dos votos computados

Candidato da esquerda peruana lidera e deve ser eleito presidente

Com quase 99,8% dos votos contados, o candidato presidencial do Peru Libre, Pedro Castillo, já falou como vencedor do segundo turno da eleição presidencial realizado no domingo (6), embora após 48 horas o órgão eleitoral, o ONPE, ainda não tenha feito um anúncio oficial. Na contagem dos votos, o professor rural ganhou com 50,20 por cento dos votos sobre o líder de direita Keiko Fujimori com 49,7 por cento.

“Seremos um governo respeitador da democracia, da atual Constituição e faremos um governo com estabilidade financeira e econômica”, disse Castillo na terça-feira (8) à noite, perante centenas de apoiadores que se reuniram na sede do seu partido, em Paseo Colon, no centro de Lima.

“Quero expressar em nome do povo peruano às personalidades de diferentes países que hoje à tarde têm vindo a expressar as suas saudações ao nosso”, acrescentou o candidato presidencial, aludindo a mensagens de “embaixadas e governos da América Latina e de outros países”.

Segundo o Gabinete Nacional de Processos Eleitorais (ONPE), atualmente com 0,18 por cento dos votos ainda por contar, Castillo tem 50,192% dos votos contra Fujimori, que tem 49,808% cento e está 67.036 votos atrás com 18,603,232 votos computados.

Keiko, ex-parlamentar e filha do ex-ditador Alberto Fujimori, alegou na segunda-feira (7) à noite “sinais de fraude”. “Notamos que tem havido uma estratégia do Peru Libre para distorcer os resultados que refletem a vontade do povo, e estou a referir-me ao processo de impugnações dos contos de votação, em que a maioria destes tenta evitar ter um voto superior contra Fuerza Popular, não foram contados”, o candidato de direita acusado.

Contudo, as suas acusações foram rapidamente desmentidas pela ONPE e até pela Missão de Observação Eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA) que descreveu o processo como normal e transparente.

“Ela mente, ela mente, mais do mesmo: fujimorismo”, foi o título de um comunicado emitido pelo partido de Castillo na madrugada de quarta-feira, que afirmava que “não é segredo que a velha prática do fujimorismo de fraude eleitoral não é segredo”. O texto alude às eleições presidenciais de 2016, quando Keiko Fujimori perdeu para Pedro Pablo Kuczynski (PPK) por uma estreita margem: 50,12 a 49,88 por cento.

A contagem dos votos

O progresso da contagem dos votos abrandou na terça-feira porque as autoridades eleitorais estão à espera das atas eleitorais das mesas de voto no estrangeiro, que a ONPE já tinha avisado que chegariam “na sua maioria” entre terça-feira e quarta-feira, especialmente as de países mais distantes. Fujimori ganhou até agora 66,48% dos votos no estrangeiro, contra 33,51% do seu rival, com 89,47% destas mesas de voto contadas.

Mesmo assim, o analista político Hugo Otero disse à AFP que “será muito difícil” “superar a diferença” que Castillo conseguiu sobre Fujimori. “Deve haver mais votos para serem contados no Peru do que no estrangeiro”, disse ele. De acordo com Otero, o ONPE ainda tem de contar pouco menos de 2% das mesas de voto do Peru, a maioria delas em áreas remotas que poderiam fornecer a Castillo mais votos do que os que faltam no estrangeiro. “Penso que Castillo vai ganhar, mas temos de esperar até que o ONPE dê o resultado oficial”, disse Otero.

Fonte: Pagina12 (Tradução: Iñaki Haritza)