Datafolha agrava a crise bolsonarista e intensifica busca do voto útil

Bolsonaro, com 33 % de intenções de voto, está 12 pontos percentuais atrás de Lula, que tem 45%. A 17 dias para o primeiro turno, o cenário é de estabilidade.

Foto: Ricardo Stuckert

A nova pesquisa Datafolha, divulgada na noite desta quinta-feira (16), agravou a crise da campanha à reeleição de Jair Bolsonaro (PL). O entorno do presidente – que nunca teve unidade – está ainda mais dividido em relação aos rumos que a candidatura deve seguir para evitar a derrota já no primeiro turno.

Conforme o levantamento, Bolsonaro, com 33 % de intenções de voto, está 12 pontos percentuais atrás do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tem 45%. A 17 dias para o primeiro turno, o cenário é de estabilidade. A pontuação de Lula se mantém inalterada desde o começo de setembro. Já Bolsonaro oscila entre 32% e 34% desde a pesquisa de 18 de agosto.

Para o presidente, o problema é que as cartas em suas mãos parecem cada vez mais irrelevantes para mudar o jogo. Durante cerca de um mês, Bolsonaro colheu algum ganho com as medidas eleitoreiras da PEC do Desespero, como o Auxílio Brasil temporariamente turbinado e o voucher para caminhoneiros. Os preços mais em conta dos combustíveis também lhe ajudaram. A rejeição ao governo diminuiu, o que poderia elevar o potencial de votos em Bolsonaro. Além disso, nos últimos dias, o ex-capitão adotou uma postura mais moderada – a versão “Jair paz e amor”.

Mas faltam cartas para um novo impulso – e falta tempo. A rejeição a Lula apenas oscilou durante a campanha. Hoje, 39% dos eleitores dizem que não votariam no petista de jeito nenhum. Mas esse dado não impactou o favoritismo de Lula, até porque a rejeição a Bolsonaro é ainda maior: 51%.

Com a imobilidade do presidente nas pesquisas, a eleição pode ser definida no primeiro turno. Há poucos indecisos – 2%, conforme o Datafolha. Em contrapartida, Ciro Gomes (PDT) e Simone Tebet (MDB), juntos, somam 13%. Se um quinto desses votos for para Lula, teremos um presidente eleito já em 2 de outubro. Por isso, a busca do voto útil se intensificará.

Jornalistas que cobrem a campanha eleitoral pela grande mídia retratam um clima de desolação na campanha de Bolsonaro. “A percepção interna é que todo arsenal já foi usado e mesmo assim a nova pesquisa Datafolha aponta estabilidade, além de rejeição elevada”, relatou Gerson Camarotti, no G1. “Na campanha, a expectativa inicial é que a mobilização na comemoração do bicentenário da Independência, no 7 de Setembro, poderia criar uma nova onda nesta reta final de campanha que não se concretizou.”

Nos recortes do Datafolha, sobressai a redução da dianteira de Bolsonaro para Lula – de 23 pontos para 17 – no eleitorado evangélico. Entre as mulheres, o presidente não consegue ultrapassar a marca de 29%. Na faixa de eleitores jovens, com até 24 anos, o ex-presidente se distanciou do atual mandatário, chegando a 50% e abrindo 22 pontos.

Houve, ainda, uma significativa ampliação da liderança do ex-presidente no Sudeste: Lula batia Bolsonaro na região, semana passada, por 41% a 36% e, agora, vence por 43% a 34%. Com 66,7 milhões de eleitores, o Sudeste é o maior colégio eleitoral do País. O presidente melhorou seu desempenho em Minas Gerais, mas perdeu força em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Na propaganda eleitoral em rádio e TV, Bolsonaro vai intensificar os ataques a Lula. Caso tenha atingido um teto de intenção de votos – o que é cada vez mais provável –, ele precisa torcer para que a terceira via não desidrate. Qualquer ponto percentual a menos de Ciro ou Tebet deixará o segundo turno mais distante.

Vale lembrar que, na simulação feito pelo Datafolha de segundo turno, os dois candidatos oscilaram, mas a diferença entre eles se alargou. Lula está com 54% (ante 53% na pesquisa anterior) e Bolsonaro tem 38% (contra 39% da semana passada). O ex-presidente é mais favorito do que nunca para vencer a eleição.

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