Exposição virtual narra legado de Alexandre Vannucchi Leme

Mostra “Eu só disse o meu nome” é composta por imagens, áudios e textos que narram a vida, a morte e o legado deixado pelo jovem para a luta por direitos humanos.

Alexandre Vannucchi Leme | Reprodução/IVH

O Instituto Vladimir Herzog, em parceria com o Google Arts e Culture, lançou nesta terça-feira (21) a exposição virtual Alexandre Vannucchi Leme: eu só disse o meu nome, em memória aos 50 anos do assassinato do estudante por agentes da ditadura militar. Alexandre tinha apenas 22 anos quando foi preso, torturado e morto no DOI-Codi em São Paulo, em 1973.

Com uma narrativa construída a partir de imagens, áudios e textos, a exposição aborda não apenas a morte de Vannucchi, mas também aspectos de sua vida e seu legado para a luta por direitos humanos. São 20 itens entre fotos, cartas, trabalhos universitários e documentos pessoais, que constituem a memorabilia do jovem estudante.

“A exposição reacende o debate acerca da ausência de punição aos autores de graves violações de direitos humanos na ditadura militar. Alexandre foi vitimado por práticas extremamente cruéis que, durante o regime, compunham o código de conduta de parte dos agentes de segurança pública que mobilizavam a tortura e os maus tratos sob ao pretexto do combate ao comunismo. Esses perpetradores, até os dias de hoje, jamais sentaram no banco dos réus”, explica Gabrielle Abreu, historiadora e coordenadora da área de Memória, Verdade e Justiça do Instituto.

Segundo a historiadora, a impunidade continua sendo marca registrada no Brasil e é necessário compromisso para romper com esta cultura, conferindo responsabilização e punição aos torturadores do passado e do presente. “Esse movimento é crucial para garantirmos a saúde da nossa democracia e a não repetição de violência como as que Alexandre sofreu”, disse ela.

Para Camilo Vannuchi, primo de segundo grau do estudante e coordenador da exposição, o caso Alexandre produziu recuos significativos no modus operandi da ditadura, uma vez que sua morte foi considerada um erro grave e um “tiro no pé” pela repressão, e ajudou a forjar a luta por verdade, justiça e reparação no país, sobretudo a partir da atuação dos pais do jovem, Egle e José, e dos advogados Mário Simas e José Carlos Dias.

A revolta com o assassinato de Alexandre também impulsionou o ressurgimento do movimento estudantil e, em 1976, o DCE-Livre da USP foi refundado e batizado em homenagem ao estudante. Hoje, seu nome também designa uma Escola Estadual de Primeiro Grau em Ibiúna, uma Escola Municipal de Educação Infantil em São Paulo e uma praça nas imediações da casa onde Alexandre residia em Sorocaba.

Disponível em português, inglês e espanhol, a mostra pode ser acessada na plataforma do Google Arts & Culture e também no portal Memórias da Ditadura.

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Fonte: Instituto Vladimir Herzog
Edição: Bárbara Luz

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