STF cobra resposta da PGR sobre chacina em operação no Rio
Ministro Alexandre de Moraes pediu manifestação urgente da PGR sobre pedido do Conselho de Direitos Humanos para que Cláudio Castro explique ação com mais de 130 mortos
Publicado 29/10/2025 15:25 | Editado 29/10/2025 15:54
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (28) que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste, em 24 horas, sobre o pedido do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) para que o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), preste informações sobre a Operação Contenção. A ação policial, realizada nos complexos do Alemão e da Penha, deixou ao menos 121 mortos, segundo dados oficiais — número que pode chegar a mais de 130, conforme relatos de moradores e órgãos de direitos humanos.
O despacho foi emitido logo após Moraes assumir o comando da ADPF das Favelas, processo no qual o Supremo já determinou medidas para reduzir a letalidade policial nas comunidades do Rio.
PGR aguarda dados do governo fluminense
Em resposta ao Supremo, a Procuradoria-Geral da República informou nesta quarta-feira (29) que aguarda o envio de informações do governo do Rio para avaliar se pedirá novas medidas. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, destacou que o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) também solicitou esclarecimentos ao governador Cláudio Castro sobre a operação.
O CNDH pede que o governo fluminense apresente um relatório detalhado da ação, sua justificativa formal, e explique quais providências foram tomadas para socorrer as vítimas e garantir a responsabilização de eventuais abusos.
ADPF das Favelas volta ao centro do debate
A decisão de Moraes ocorre em meio ao vácuo deixado pela aposentadoria do ex-ministro Luís Roberto Barroso, antigo relator da ADPF das Favelas. Pelo regimento do STF, o novo relator só será designado após indicação presidencial para a vaga aberta na Corte. Até lá, Moraes ficará responsável por decisões urgentes relacionadas ao caso.
A ação, proposta em 2019 pelo PSB, busca garantir que operações policiais nas favelas respeitem direitos humanos e sigam protocolos de segurança para proteger moradores. Em abril deste ano, o Supremo reforçou essas medidas, determinando restrições ao uso de helicópteros armados e exigindo relatórios após cada operação.
Tensão entre o STF e o governo do Rio
A retomada da ADPF das Favelas reacendeu tensões entre o Supremo e o governo do Rio. Após a operação, Cláudio Castro afirmou que o aumento da criminalidade no estado é resultado das restrições impostas pela Corte às forças de segurança. Opositor do Governo Federal, o governador também se opõe à PEC da Segurança, que prevê integração das polícias.
Integrantes do STF, no entanto, avaliam que a tragédia revela o descumprimento de decisões anteriores e a ausência de controle efetivo das ações policiais. O gabinete de Moraes deve analisar, nos próximos dias, se as medidas adotadas pelo estado violaram determinações judiciais já em vigor.
Letalidade policial e cobrança por transparência
A Operação Contenção é considerada a mais letal da história do Rio de Janeiro. O episódio provocou forte reação de entidades civis e organismos internacionais, que cobram transparência e responsabilização.
Com a nova ofensiva judicial, o Supremo volta ao centro do debate sobre o uso da força policial e o papel do Estado na proteção da vida nas comunidades. Para Moraes, segundo interlocutores, a prioridade será garantir o cumprimento das decisões já firmadas na ADPF e evitar que tragédias semelhantes se repitam.
Com informações da Agência Brasil