Guerra pressiona preços e mercado eleva o prognóstico para a inflação
Boletim Focus prevê aumento do IPCA pela quarta semana seguida, passando de 4,31% para 4,36% sob pressão nos preços dos combustíveis pela guerra no Oriente Médio
Publicado 06/04/2026 12:11 | Editado 06/04/2026 14:45
O mercado financeiro elevou a previsão do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), referência para a inflação no país, no Boletim Focus publicado nesta segunda-feira (6). A estimativa das instituições financeiras reunidas pelo Banco Central (BC) é de que a inflação fique em 4,36%, enquanto na semana anterior a avaliação era de 4,31%. Nesse cálculo, os economistas já inserem a pressão sobre os preços dos combustíveis causada pela guerra no Oriente Médio, que tem reflexos sobre diversos produtos por conta dos custos de frete.
É a quarta semana seguida que a previsão para o IPCA sobe. Há quatro semanas, o índice estava em 3,91%. Apesar da elevação, os valores ainda estão dentro da meta inflacionária estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que tem como referência 3%, com margem de tolerância superior em 4,5%.
A subida consecutiva já é reflexo da inflação real, medida pelo IBGE, registrada em fevereiro, que acelerou em 0,7%, com aumento principalmente nos transportes e educação. Apesar disso, em 12 meses, o IPCA foi a 3,81%, um recuo em relação aos 4,44% anteriores.
Para os próximos anos, o prognóstico do Boletim Focus atual trouxe pequenos aumentos entre a semana anterior e a atual: de 3,84% para 3,85% em 2027; e de 3,57% para 3,60%. Para 2029, a análise futura permaneceu igual, em 3,50%.
Taxa de juros
Na questão dos juros, as perspectivas trazidas pelo BC se mantiveram. Atualmente em 14,75% ao ano, o entendimento é de que a taxa Selic, definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, encerre o ano em 12,5% ao ano.
No início de março, a previsão para os juros chegou a ir a 12,13% a.a., porém o avanço do conflito internacional, aliado ao corte tímido nos juros (de apenas 0,25 ponto percentual pelo Copom), reverteu a tendência.
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A estimativa para 2027 se mantém há 60 semanas, em 10,5% ao ano. Para 2028, está igual há 11 semanas, em 10% a.a., e para 2029, são esperados juros de 9,75% a.a.
PIB e câmbio
A questão do Produto Interno Bruto (PIB), em que os economistas mais erram, permanece inalterada em comparação à semana anterior:
- 2026: 1,85%;
- 2027: 1,8%;
- 2028 e 2029: 2%.
Em 2025, o PIB oficial do Brasil ficou em 2,3%, mesmo sob o efeito prolongado dos altos juros de 15% a.a. na totalidade do segundo semestre.
Quanto ao câmbio, a previsão para a cotação do dólar permaneceu em R$ 5,40 para este ano, em R$ 5,45 para 2027; e R$ 5,50 para 2028 e 2029.