Senadora quer frente em defesa da exploração de potássio no AM
A senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) defendeu, em audiência pública na Comissão de Meio Ambiente do Senado, nesta terça-feira (10), a formação de uma frente parlamentar para viabilizar a exploração de reservas de potássio existentes no estado do Amazonas. Usado principalmente como fertilizante agrícola, o potássio forma, juntamente com nitrogênio e fósforo, a base da adubação utilizada nas lavouras de grãos.
Publicado 10/09/2013 16:40

Dos três elementos, o potássio é o mais dependente de importação. O Brasil compra de outros países 92% das cerca de cinco milhões de toneladas que consome por ano – é o terceiro consumidor mundial de potássio, atrás apenas da China e dos Estados Unidos.
A senadora quer mostrar ao governo federal a necessidade de ampliar a produção nacional do fertilizante, a partir da exploração das reservas no Amazonas, para garantir segurança e competitividade à produção de grãos, a preços mais baixos, conferindo maior competitividade ao agronegócio brasileiro.
“Vamos formar essa frente pela autossuficiência na produção de potássio”, ressaltou Vanessa Grazziotin.
Presente à audiência pública, Roberto Ventura Santos, diretor de Geologia e Recursos Minerais da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais e Serviço Geológico do Brasil (CPRM), informou que o país tem uma única mina de potássio em operação, com produção já declinante. “Se nada for feito, a produção nacional estará esgotada até 2019, ficando o Brasil totalmente dependente do potássio importado”, frisou.
Canadá, Rússia e Bielorrússia são responsáveis por cerca de 65% da produção mundial e, conforme alertou Daniel Nava, secretário de Mineração, Geodiversidade e Recursos Hídricos do Amazonas, um problema com esses países fornecedores comprometeria toda a produção agrícola brasileira.
O Amazonas tem grandes reservas de sais de potássio, em especial a silvinita, descobertas na década de 1980 pela Petrobras, mas ainda não exploradas. As principais reservas estão entre os municípios de Autazes e Nova Olinda do Norte, no corredor do rio Madeira. Estimativas apontam para uma produção que poderá atender a toda a demanda brasileira e ainda ser exportada.
Crescimento econômico
Vanessa Grazziotin considera que a exploração da silvinita favorecerá o crescimento econômico com distribuição de renda na região. Ela lembra que muitos municípios no seu estado são dependentes de repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e de ICMS, sendo a mineração uma opção para viabilizar a geração de empregos.
“Não queremos apenas explorar as gigantes reservas de silvinita do Amazonas, mas, a partir delas, estabelecer um polo petroquímico, pois também produzimos gás. É uma luta não só do meu estado, mas também dos estados produtores de alimentos e do Brasil”, afirmou.
O deputado estadual Sinésio Campos (PT-AM), também presente a audiência pública, ressaltou que o Amazonas busca uma exploração sustentável de potássio, visando ao desenvolvimento da agricultura familiar e do agronegócio como um todo, sem a destruição ambiental verificada em atividades mineradoras desordenadas, como ocorreu em Serra Pelada (PA)
O representante do Ibama, Jonatan Trindade, informou que o país já dispõe de tecnologia para exploração mineral dentro dos condicionantes ambientais. “O cuidado principal seria em relação ao controle da qualidade da água, pois o principal impacto de uma mina subterrânea é a contaminação de aquíferos”, explicou Trindade.
Uma vez seguidas as recomendações ambientais, Sinésio Campos afirma que não haverá resistências à exploração mineral, pois a atividade conta com o apoio da população dos municípios envolvidos. A aprovação dos moradores foi atestada pelos prefeitos Joseias Lopes, de Nova Olinda do Norte, e Raimundo Sampaio, de Autazes.
Da Redação em Brasília
Com Agência Senado