Petro proíbe exportação de carvão para Israel: “Não somos cúmplices”

Presidente da Colômbia ordena bloqueio militar a navios com destino a Israel e acusa empresas e ex-ministro de violar decreto que proíbe exportações desde 2024

Gustavo Petro no Primeiro de Maio anunciando ruptura diplomática com Israel

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, ordenou à Marinha que intercepte e bloqueie qualquer embarque de carvão com destino a Israel. 

“Nenhuma tonelada de carvão vai para Israel. É uma ordem. Não somos cúmplices de genocidas”, afirmou o mandatário colombiano na última quinta-feira (25), ao acusar empresas e membros do próprio governo de violarem seu decreto de 2024.

O carvão é uma das principais matérias-primas da matriz energética israelense, com papel central na indústria militar do país. 

Em 2023, a Colômbia forneceu mais de 60% do carvão importado por Israel. A proibição formal dessas exportações foi instituída em agosto de 2024, após o rompimento das relações diplomáticas entre Bogotá e Tel Aviv.

Segundo Petro, a medida visa impedir que recursos colombianos sejam usados “para fabricar bombas que matam crianças em Gaza”. 

Ele também responsabilizou diretamente a ex-ministro do Comércio, Luis Carlos Reyes, por manobras que teriam permitido o envio de cargas mesmo após o decreto. “Se não me obedecem, então este governo é mentiroso”, declarou.

Embora o decreto inicial previsse exceções para contratos previamente aprovados ou liberados pela alfândega, Petro denunciou que multinacionais como Glencore e Drummond continuaram os envios, amparadas por brechas institucionais. 

Segundo a agência Standard & Poor’s, entre setembro de 2024 e abril de 2025, foram exportadas 1,24 milhão de toneladas de carvão para Israel, o equivalente a cerca de US$100 milhões. 

A Drummond alegou que as cargas estavam autorizadas por comitês oficiais, enquanto a Glencore afirmou ter cessado os envios antes da vigência da proibição. Ambas rejeitaram as acusações de cumplicidade feitas por Petro e por organismos internacionais.

No plano jurídico, o presidente fundamenta sua ordem no artigo 21 do GATT, tratado que rege a Organização Mundial do Comércio (OMC), segundo o qual é permitido suspender contratos comerciais em situações de guerra ou genocídio. 

“É minha ordem como comandante-em-chefe das Forças Armadas da Colômbia, e eu assumo a responsabilidade”, afirmou. “Não sai uma tonelada de carvão para Israel. Não somos cúmplices de genocidas.”

Petro também apelou ao direito internacional, citando decisões da Corte Penal Internacional e da Corte Internacional de Justiça que classificam os bombardeios em Gaza como crimes de guerra. 

“As cortes disseram que quem joga as bombas é um criminoso de guerra. Se pisar em solo colombiano, deve ser preso”, declarou. A relatora da ONU para a Palestina, Francesca Albanese, apoiou publicamente a decisão colombiana e afirmou que o carvão extraído por Glencore e Drummond sustenta a infraestrutura que mantém a ocupação israelense.

A Colômbia rompeu relações diplomáticas com Israel em maio e, desde abril, busca se integrar ao processo liderado pela África do Sul na Corte Internacional de Justiça, que acusa Israel de genocídio. 

No dia 17 de julho, Bogotá sediou uma reunião do Grupo de Haia com delegações de mais de 30 países para discutir medidas contra os ataques israelenses à população civil em Gaza, onde já morreram mais de 60 mil palestinos. 

“Algum dia o povo de Israel mudará isso. Haverá embaixadas. Nos abraçaremos. Mas enquanto atirarem bombas contra inocentes, não”, disse Petro. “A Colômbia não se suja com esse tipo de aventura”, disse o colombiano.

Autor