UNA-LGBT: 10 anos de luta, resistência e transformação socialista em São Paulo
Encontro celebrou aniversário da fundação da União Nacional LGBT. Organização reafirma que “não existe liberdade sexual sem libertação social”
Publicado 27/10/2025 17:16 | Editado 27/10/2025 18:24
No último sábado (25), a União Nacional LGBT (UNA-LGBT) celebrou seus 10 anos de fundação com um ato político e cultural no Dilogia Casa da Diversidade, na Bela Vista, em São Paulo (SP).
O encontro reuniu militantes históricos, artistas, ativistas, representantes do movimento estudantil e lideranças populares, reafirmando o compromisso da organização com a luta por uma sociedade justa, democrática e socialista.
Participaram da celebração representantes da União Paulista dos Estudantes Secundaristas (Upes), da União da Juventude Socialista (UJS), do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), e de diversas organizações da base popular.
O evento foi marcado por homenagens, debates e o lançamento do Manifesto “UNA-LGBT São Paulo 10 Anos de Luta, Resistência e Orgulho!”, redigido por Pimenta Júnior e Silvana Conti.
O manifesto sintetiza uma década de enfrentamentos, conquistas e resistência diante das novas formas de opressão e cooptação do capital.
Com uma forte crítica à mercantilização das pautas LGBTQIA+, o texto reafirma o caráter classista e revolucionário da UNA-LGBT.
“Nossa luta não é mercadoria. O chamado ‘pink money’ não pode substituir a luta de classes. Nossa existência não é vitrine para o lucro de empresas ou para o marketing de governos que negligenciam políticas públicas estruturais”, destaca o documento.
Durante o evento, foram relembradas as mobilizações que marcaram a história da UNA-LGBT desde sua fundação, em 2015, em São Paulo, até sua consolidação como uma das principais organizações LGBTQIA+ com perspectiva de classe no Brasil.
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O manifesto também reafirma o compromisso da entidade com as lutas da classe trabalhadora, incluindo a defesa da educação pública, da soberania nacional, da jornada 5×2, da taxação das grandes fortunas e da redução do Imposto de Renda para os menores salários.
“Estes 10 anos foram de enfrentamentos, de conquistas que brotaram da luta nas ruas e de resistência diante das novas formas de opressão e cooptação do capital”, afirma o texto.
A UNA-LGBT denuncia ainda o aumento da violência LGBTfóbica em São Paulo, estado que abriga tanto a maior Parada do Orgulho do mundo quanto altos índices de agressões contra pessoas LGBTQIA+.
A entidade reafirma que a libertação sexual só será plena em uma sociedade socialista, onde dignidade, saúde, educação, cultura e moradia sejam direitos universais e não privilégios de consumo.
Encerrando a celebração, a UNA-LGBT reafirmou seu papel como trincheira de afeto, consciência e resistência popular, fortalecendo a unidade entre militância, juventude e movimentos sociais: “Porque amar e lutar continuam sendo nossos maiores atos políticos.”
Confira a seguir a íntegra do manifesto:
Manifesto UNA-LGBT São Paulo 10 Anos de Luta, resistência e Orgulho!
Uma década de unidade, resistência e transformação socialista. A União Nacional LGBT (UNA-LGBT), fundada em São Paulo, no dia 15 de outubro de 2015, completa 10 anos de atividade e luta fazendo todos os esforços para contribuir com uma sociedade mais democrática, mais justa e mais equânime, livre das desigualdades sociais, dos racismos e da LGBTfobia.
A UNA-LGBT lutou contra o golpe, pela manutenção do estado democrático de direito, pela representatividade da nossa população nos espaços de poder, e principalmente, colaborando efetivamente para a defesa de políticas públicas, direitos sociais e o respeito à vida.
A UNA-LGBT participa da vida do povo brasileiro intensamente e tem compromisso com o futuro do nosso país, que continuemos derrotando os conservadorismos, avançando rumo à promoção do respeito e da valorização da diversidade, e construindo uma sociedade mais inclusiva e democrática,
Em nossa Carta de Princípios, a UNA-LGBT se compromete a estar presente nas diversas lutas do povo brasileiro, através da sua militância. Nas lutas por direitos da classe trabalhadora, contra a Reforma da Previdência, em defesa da Educação, da Democracia, da soberania nacional, pelo não à escala 6×1, pelo sim da jornada 5×2, pela taxação das grandes fortunas, pela diminuição do Imposto de Renda sobre os menores salários.
Sabemos que há muito o que avançar. Ser uma pessoa da população LGBTQIA+ no Brasil não é fácil. É preciso encarar a LGBTfobia sem temor e jamais desistir de lutar.
A UNA-LGBT está organizada em diversos estados, e temos potencial para estar em todos os estados brasileiros.
Estes 10 anos foram de enfrentamentos, de conquistas que brotaram da luta nas ruas e de resistência diante das novas formas de opressão e cooptação do capital.
Nossa história se confunde com a história recente do movimento LGBTQIA+ brasileiro, marcada por contradições profundas. São Paulo é, ao mesmo tempo, o palco da maior Parada do Orgulho LGBTQIA+ do mundo e um dos estados com mais casos de violência e assassinatos contra pessoas LGBTQIA+.
A UNA-LGBT nasce e segue existindo para lembrar que nossa luta não é mercadoria. O chamado “pink money” não pode substituir a luta de classes. Nossa existência não é vitrine para o lucro de empresas ou para o marketing de governos que negligenciam políticas públicas estruturais.
Enquanto o capitalismo transforma nossas pautas em produto, seguimos reafirmando que a libertação LGBTQIA+ só será plena em uma sociedade socialista, onde a dignidade não dependa do poder de consumo, mas seja um direito para todas, todes e todos.
Nestes dez anos, lutamos por políticas públicas efetivas de saúde, educação, moradia e cultura e seguimos denunciando a ausência de compromisso do Estado paulista em enfrentar as violências LGBTfóbicas.
Resistimos à cooptação e à burocratização do movimento, defendendo que a autonomia, a base e a radicalidade sigam sendo nossos pilares. Nossa trajetória é feita de travestis, pessoas trans, bissexuais, lésbicas, gays, intersexos, não-bináries, corpos gordos, pessoas pretas, indígenas e periféricas.
É feita de quem não se dobra à moral conservadora nem ao oportunismo neoliberal. Somos continuidade de uma história que começa nas esquinas e nas praças, não nos camarotes.
Inspirados pela crítica à barbárie capitalista e pela herança das lutas antifascistas, reafirmamos: “Não existe liberdade sexual sem libertação social.” O trumpismo e seus equivalentes locais tentam restaurar o autoritarismo, o moralismo e o ódio de classe.
Mas a UNA-LGBT segue sendo trincheira de afeto e consciência. Nossa resposta é o amor revolucionário, a organização popular e a unidade de todes que sonham e constroem um futuro socialista.
Dez anos depois, seguimos marchando. Pelas ruas, pelos corpos, pelos sonhos e pela revolução.
UNA-LGBT São Paulo 10 Anos de Unidade, Resistência e Transformação Socialista Porque amar e lutar continuam sendo nossos maiores atos políticos.