Após acordo com Brasil, China libera chips e alivia risco de paralisação nas montadoras
Após diálogo entre governos, Pequim começa a autorizar exportações de semicondutores para empresas brasileiras, reduzindo o risco de desabastecimento.
Publicado 10/11/2025 16:28 | Editado 10/11/2025 17:59
Conforme anunciado governo brasileiro, no início do mês, a China iniciou a liberação gradual das autorizações para exportação de semicondutores destinados à indústria automotiva brasileira, informou a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A medida, segundo a entidade, reduz o risco de paralisação das fábricas no país.
“Dois fatores contribuíram para isso: a liberação pela China da importação de chips por empresas que operam no Brasil e têm fábrica em solo chinês, e a licença especial concedida pelos chineses às empresas brasileiras”, explicou Igor Calvet, presidente da Anfavea.
Apesar da melhora, Calvet alertou que a situação “ainda não foi normalizada”, e que o fornecimento segue sob monitoramento. “Se não houver interrupção novamente nas importações, nossa indústria tende a não ser afetada”, disse.
Governo brasileiro articulou solução com Pequim
O aviso da retomada das importações havia sido antecipado no início do mês pelo vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin. Ele relatou ter recebido a confirmação do embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, de que o governo chinês abriria canais de diálogo para evitar o desabastecimento.
“Seguindo as orientações do presidente Lula, vamos manter o diálogo com nossos parceiros, gerando emprego, renda e oportunidades compartilhadas”, afirmou Alckmin na rede social X. Dois dias antes, Alckmin se reunira com Anfavea, Sindipeças, Abipeças e representantes dos trabalhadores, que pediram o apoio do governo brasileiro, junto ao governo chinês, para que o Brasil não fosse prejudicado.
O vice-presidente destacou que a cadeia automotiva emprega 1,3 milhão de pessoas e tem impacto direto em setores como o siderúrgico, químico, plástico e de borracha. “Hoje demos um passo importante para que a indústria continue crescendo e gerando empregos de qualidade”, afirmou.
Crise começou após disputa internacional por semicondutores
O risco de escassez de chips no Brasil surgiu após o governo da Holanda assumir o controle da Nexperia, subsidiária da fabricante chinesa Wingtech. Em resposta, a China suspendeu temporariamente as exportações da empresa, o que interrompeu o fornecimento de semicondutores a montadoras e fabricantes de autopeças brasileiros.
A situação foi agravada pela disputa global entre China e Estados Unidos pelo controle da produção de chips — um insumo estratégico para a indústria de tecnologia e automotiva. Na última semana, no entanto, os dois países anunciaram um acordo comercial que abre perspectivas para a normalização do mercado.
Indústria comemora alívio, mas mantém cautela
Em nota, a Anfavea comemorou a reabertura do diálogo com a China e o avanço das autorizações para importação de semicondutores. A entidade destacou que a decisão “abre caminho para o fim do embargo que poderia levar ao desabastecimento da cadeia de autopeças e à paralisação das fábricas”.
Calvet ressaltou que o apoio do governo brasileiro foi fundamental para o resultado. “As empresas agora podem restabelecer suas compras de semicondutores e normalizar a produção sem prejuízos”, afirmou.
A concessão de licenças especiais “caso a caso” permitirá que as montadoras mantenham a produção de veículos sem interrupções, assegurando estabilidade à cadeia de suprimentos e à geração de empregos em um setor considerado estratégico para a economia nacional.