Lula reage à prisão de Bolsonaro e afirma: “Todo mundo sabe o que ele fez”
Presidente evita comentar decisão do STF, mas diz que Justiça agiu com garantia plena de defesa
Publicado 23/11/2025 15:13 | Editado 24/11/2025 11:37
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, neste domingo (23), que “todo mundo sabe” por que Jair Bolsonaro está preso, após o Supremo Tribunal Federal decretar sua prisão preventiva. O ex-presidente foi levado à Superintendência da Polícia Federal em Brasília após violar a tornozeleira eletrônica e tentar fugir da prisão domiciliar — segundo decisão do ministro Alexandre de Moraes.
Durante coletiva em Joanesburgo, na África do Sul, logo após a sessão final da Cúpula de Líderes do G20, Lula reforçou que não comentaria decisões da Suprema Corte, mas defendeu a lisura do processo.
“Ele foi julgado, teve todo direito à presunção de inocência, foram dois anos e meio de investigação. A Justiça decidiu, está decidido. Ele vai cumprir a pena que a Justiça determinou. E todo mundo sabe o que ele fez”, afirmou.
Reação a Trump: “O Brasil decide”
Lula também respondeu à declaração do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que classificou a prisão de Bolsonaro como “uma pena”. A fala ocorreu em meio à pressão norte-americana sobre o governo brasileiro durante negociações comerciais.
“O Trump tem que saber que somos um país soberano. A Justiça brasileira decide. O que está decidido aqui está decidido”, disse Lula, minimizando qualquer possibilidade de desgaste bilateral.
O governo dos EUA retirou, na semana passada, a tarifa adicional que havia imposto ao Brasil — instrumento que vinha sendo utilizado como forma de pressão.
Bolsonaro e risco de fuga: por que a prisão foi decretada
Bolsonaro foi preso preventivamente no sábado (22). Segundo Moraes, o ex-presidente:
- tentou destruir a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda;
- poderia tentar fugir do país;
- estimularia aglomerações em sua casa para impedir ações judiciais.
Embora já condenado a 27 anos e três meses por tentativa de golpe, a prisão atual não decorre da condenação — que ainda está em fase de recursos e pode levar à execução nos próximos dias.
Com pena superior a oito anos, Bolsonaro deverá iniciar em regime fechado, devendo passar da prisão preventiva para a prisão pela condenação sem retorno ao regime domiciliar.
G20: Lula destaca soberania, clima e inteligência artificial
Além da crise política brasileira, Lula dedicou a maior parte de sua agenda no G20 a temas estruturais:
Minerais críticos e disputa geopolítica
O presidente defendeu que países com grandes reservas — como o Brasil, que detém cerca de 10% das reservas mundiais — não sejam apenas exportadores, mas parceiros na cadeia de valor.
“Falar sobre minerais críticos é falar sobre soberania”, afirmou.
Inteligência artificial e risco de desigualdade digital
Lula alertou para o risco de “colonialismo digital”, caso poucos países dominem algoritmos, infraestrutura e dados.
“Quando poucos controlam esses instrumentos, a inovação passa a gerar exclusão”, declarou.
Proteção ao trabalho diante da automação
O presidente afirmou que 40% dos trabalhadores do mundo estão em funções expostas à automação e insistiu que “cada linha de código deve carregar consigo a marca da inclusão social”.
COP30 e a disputa sobre combustíveis fósseis
Lula afirmou que o Brasil está disposto a liderar um debate realista sobre o fim dos combustíveis fósseis, mas sem impor datas unilaterais.
Segundo ele, o Acordo de Belém foi um avanço, apesar de não incluir explicitamente o cronograma de eliminação do petróleo — tema que chegou a travar negociações.
“A semente foi plantada e vai frutificar”, disse.
Geopolítica regional: preocupação com tensões na Venezuela
Lula também criticou a movimentação militar dos EUA no Caribe, perto da Venezuela, afirmando que pretende discutir o tema com Trump.
“Não há sentido em ter uma guerra agora. Não vamos repetir o erro da Rússia e da Ucrânia”, alertou.
Agenda presidencial
Após o G20, Lula segue para Maputo, em Moçambique, onde participa das comemorações dos 50 anos de relações diplomáticas entre os países e cumpre agenda bilateral sobre desenvolvimento, energia e inclusão social.