Indústria brasileira mantém produção estável desde abril de 2025
IBGE destaca que a alta taxa de juros impede que a indústria rompa o teto de estabilidade e retome o crescimento
Publicado 08/01/2026 17:20 | Editado 08/01/2026 18:56
A produção industrial brasileira tem demonstrado resiliência nos últimos anos, mantendo estabilidade mesmo em um cenário de alta dos juros. Em novembro de 2025, a indústria nacional registrou variação nula (0,0%), segundo a Pesquisa Industrial Mensal (PIM), divulgada nesta quinta-feira (8) pelo IBGE.
O setor tem operado em um patamar de baixa intensidade, funcionando como um reflexo direto dos juros elevados que encarecem o crédito e inibem investimentos.
Embora o resultado de novembro seja o melhor para o mês desde 2023 (superando a queda de 0,7% registrada em novembro de 2024), ele interrompe a trajetória de recuperação vista no início de 2025. Para o gerente da pesquisa, André Macedo, o movimento de menor intensidade “está muito associado à política monetária e ao aumento da taxa de juros”, o que explica o comportamento anêmico da produção nos últimos meses.
O entrave financeiro
O dado do IBGE expõe uma contradição central na economia: enquanto o mercado de trabalho apresenta indicadores robustos, com massa salarial em alta e desocupação baixa, a barreira dos juros impede que esse vigor se traduza em expansão fabril. Macedo ressalta que esse cenário doméstico positivo impulsiona a demanda, mas o setor industrial acaba “girando em torno do mesmo patamar desde julho” devido ao aperto nas operações de crédito.
Leia mais: Juros altos acentuam endividamento e preocupam para 2026, dizem economistas
O pesquisador detalha que 2025 foi marcado por uma insistente proximidade com a margem zero. Além da estabilidade em fevereiro e novembro, o ano acumulou variações mínimas em janeiro (0,1%), junho (0,1%), julho (-0,1%) e outubro (0,1%). Essa paralisia ocorre após um primeiro trimestre promissor, que teve seu ápice em março, com crescimento de 1,8%.
Reindustrialização sob ameaça
Para o campo progressista e os setores produtivos, a manutenção da taxa Selic em patamares restritivos atua como um “freio de mão” que sabota o projeto de reindustrialização do país. Enquanto o custo financeiro drena recursos, a indústria, responsável por cerca de 11% do PIB, patina, tornando claro que o consumo das famílias, sozinho, não consegue superar o obstáculo do capital financeiro.