Venezuela anuncia libertação de presos em gesto de paz

Novo governo inicia soltura de presos em duas prisões, inclui estrangeiros e sinaliza busca por reconciliação em meio a pressões internas e internacionais

El Helicoide, um complexo que funciona como sede do Serviço Bolivariano de Inteligência Nacional (SEBIN) e prisão onde muitos presos políticos estão detidos, em Caracas, Venezuela. Foto: 2019 Jimmy Villalta / VWPics

O governo da Venezuela iniciou nesta quinta-feira (9) a libertação de presos mantidos em duas das prisões mais conhecidas do país, em um gesto unilateral apresentado como sinal de boa-fé e busca pela paz. O anúncio foi feito por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional e irmão da presidente interina, Delcy Rodríguez, poucos dias após a captura do presidente Nicolás Maduro pelos Estados Unidos.

Rodríguez ressaltou que a decisão foi tomada sem acordos prévios com outras partes políticas ou externas e já está em andamento. Segundo o anúncio oficial, a medida abrange tanto cidadãos venezuelanos quanto estrangeiros detidos em prisões do país. O governo não especificou o número total de libertados nem seus nomes, mas confirmou que o processo de soltura já começou. 

Sem informar números totais, Rodríguez afirmou que será libertado um “número importante” de pessoas, entre venezuelanos e estrangeiros. Até esta sexta-feira (9), ao menos oito solturas haviam sido confirmadas.

Apelo à convivência pacífica
Ao anunciar a medida, Rodríguez classificou a decisão como uma contribuição do “governo bolivariano” para que o país possa seguir vivendo em paz e buscar prosperidade. Segundo ele, o gesto foi adotado sem contrapartidas e com “intenções sinceras” de pacificação nacional, em um momento de forte instabilidade política e social.

Jorge Rodríguez sublinhou que este passo não responde a diálogos com setores extremistas, mas a um esforço de comunicação com organizações políticas que atuam sob o estrito cumprimento da Constituição Bolivariana.

Rodríguez afirmou que a libertação faz parte de uma estratégia mais ampla para consolidar a união nacional diante de tensões internas e pressões externas, reforçando a busca por estabilidade e paz no país, independentemente das inclinações políticas, sociais ou religiosas dos envolvidos.

A iniciativa ocorre enquanto setores do governo intensificam ações de segurança, o que aponta cautela sobre a extensão da abertura política.

Quem são os primeiros libertados
Entre os presos libertados está Rocío San Miguel, detida em fevereiro de 2024. Cidadã venezuelana e espanhola, ela integra o grupo de cinco espanhóis soltos nesta primeira etapa, segundo confirmou o governo da Espanha.

Também foram libertados Enrique Márquez, ex-candidato presidencial, e Biagio Pilieri, dirigente oposicionista, presos por incitarem a sabotagem contra o Estado.

Expectativa
Familiares de presos concentraram-se em frente a centros de detenção como El Helicoide e a prisão de Rodeo, em Caracas, à espera de novas solturas.

Analistas lembram que, nos últimos anos, o governo venezuelano anunciou libertações pontuais, embora tenha havido novas prisões posteriores. Ainda assim, a medida foi recebida como um sinal positivo em meio a um cenário marcado por tensões, incertezas e disputas sobre o futuro político do país.

Ao final do seu discurso, o deputado Jorge Rodríguez expressou sua gratidão à comunidade internacional e às figuras que mediaram a busca da estabilidade do país. Em seu discurso, destacou o trabalho do ex-presidente espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, do presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva e do Governo do Catar.

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