Marcha em Caracas cobra libertação de Maduro e denuncia ingerência dos EUA

Mobilização do PSUV reúne milhares na capital venezuelana, um mês após a captura de Nicolás Maduro e Cilia Flores, e afirma soberania, paz e retorno do projeto bolivariano

Partidarios de Nicolás Maduro e sua esposa Cilia Flores, durante una marcha em Caracas, um mês depois que as forças militares dos Estados Unidos os sequestraram.

Milhares de venezuelanos tomaram as ruas de Caracas nesta terça-feira (3) na Grande Marcha que exigiu a libertação do ex-presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Convocada pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), a mobilização marcou um mês desde a captura do casal por forças militares dos Estados Unidos e percorreu as principais avenidas da capital em direção ao Palácio de Miraflores.

Vestidos majoritariamente de vermelho, cor símbolo do chavismo, e branco em defesa da paz, manifestantes carregaram cartazes, bandeiras e bonecos do personagem “Super Bigode”, representação popular de Maduro. As palavras de ordem ecoaram em defesa do retorno do líder e contra o que classificam como “sequestro” e violação da soberania nacional.

Consignas, símbolos e unidade popular

Ao longo do trajeto, caminhões de som embalaram a marcha com músicas e slogans como “Chegou a pátria, chegou a paz, porque a Venezuela precisa de Nicolás”. Faixas com as imagens de Maduro e Flores reforçaram a mensagem de unidade e continuidade do projeto bolivariano, enquanto famílias inteiras participaram do ato.

Para muitos presentes, a mobilização expressou não apenas solidariedade ao casal, mas também a defesa de um modelo próprio de democracia e desenvolvimento. “O império os sequestrou, nós os queremos de volta”, dizia um dos cartazes exibidos ao longo do percurso.

Nicolasito destaca consciência anti-imperialista

Em discurso à multidão, o deputado Nicolás Maduro Guerra, conhecido como Nicolasito, afirmou que o povo venezuelano construiu uma “profunda consciência anti-imperialista” e reafirmou a disposição de lutar por um caminho soberano. Segundo ele, a defesa do projeto bolivariano passa pelo fortalecimento da agricultura, da indústria e do setor petroleiro como alavancas do desenvolvimento social.

A fala foi recebida com aplausos e gritos de apoio, em um clima de comoção e confiança na mobilização popular como instrumento de pressão política.

Um mês após a captura, pressão por retorno e paz

Maduro e Cilia Flores permanecem detidos em uma prisão federal dos Estados Unidos desde a incursão militar de 3 de janeiro. Para os manifestantes, a libertação do casal é condição para a normalização institucional e para a paz no país. A marcha desta terça-feira reforçou a leitura de que a crise atual tem origem externa e que a resposta deve vir da unidade nacional.

Ao chegar às proximidades de Miraflores, a concentração transformou-se em ato político-cultural, com apresentações musicais e discursos que reiteraram o compromisso com a soberania e a autodeterminação da Venezuela.

A Grande Marcha em Caracas integra uma série de manifestações que vêm ocorrendo desde a captura do ex-presidente. Para os organizadores, a presença massiva nas ruas demonstra que uma parcela expressiva da sociedade venezuelana segue mobilizada, exigindo a libertação de seus líderes e reafirmando o direito do país de decidir seu próprio destino sem interferências externas.

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