Mercado reduz projeções para a inflação e a taxa de juros

Novo boletim Focus também melhora a previsão para o PIB de 2026 e reduz a expectativa de cotação do dólar

Governo discute medidas para baratear alimentos básicos e garantir o carrinho de supermercado cheio. Imagem de divulgação

Pela sétima semana consecutiva, o mercado financeiro reduziu a expectativa para a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Com as previsões reunidas pelo boletim Focus, do Banco Central (BC), os analistas de mercado de mais de cem instituições financeiras entendem que 2026 deverá encerrar o ano com uma inflação de 3,91%. Na semana anterior, a expectativa era de 3,95%.

Mas não somente essa expectativa melhorou. A avaliação sobre a taxa básica de juros (Selic), o PIB (Produto Interno Bruto) e o câmbio também avançou.

Inflação

O sinal de que a inflação mantém trajetória de queda é positivo, especialmente para a população mais pobre, uma vez que os preços de bens de consumo se mantêm alinhados aos reajustes salariais.

Como já mencionado, a estimativa para o ano é de que o IPCA encerre em 3,91%, mas ainda há espaço para novas reduções ao longo do ano.

Prova disso é que no primeiro boletim de 2026, em janeiro, os analistas indicavam uma inflação de 4,06%. Desde então, com sete cortes seguidos, a projeção foi reduzida.

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Para os próximos anos, as projeções trazidas no boletim foram mantidas: 2027 com inflação de 3,8%; e 2028 e 2029 em 3,5%.

Já os números reais da inflação, divulgados pelo IBGE, indicam que o IPCA acumulado de 12 meses está em 4,44%, ou seja, dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que estipula uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para uma meta central de 3%. Portanto, os limites são de 1,5% a 4,5%.

Assim, com a inflação já dentro da meta, os analistas observam como tendência uma maior aproximação do Índice ao centro inflacionário, como estipulado pelo CMN.

Taxa de juros

A taxa de juros, utilizada como principal instrumento de política monetária pelo BC para controle inflacionário, também teve o prognóstico reduzido.

Por um longo período, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC tem mantido os juros em 15% ao ano, deixando o Brasil com a segunda maior taxa de juros reais do mundo.

No entanto, na ata da última reunião, o colegiado já sinalizou com o início de um ciclo de cortes na reunião de março, ainda que não tenha especificado o tamanho dessa redução.

A redução dos juros é aguardada pela sociedade e pelo setor produtivo há muito tempo, mas, somente agora, com um recuo mais forte do IPCA e do dólar, é que os diretores do Copom tendem a se mexer.

Dessa maneira, os analistas no Focus acompanham a tendência e reduziram a previsão da Selic, em relação à semana anterior, de 12,25% ao ano para 12,13% em 2026.

Para os outros anos, foram mantidas as expectativas anteriores:

  • 2027: 10,5% ao ano;
  • 2028: 10% ao ano;
  • 2029: 9,5% ao ano.

PIB e câmbio

O cálculo sobre o crescimento econômico também foi melhorado. Na nova avaliação trazida, o Produto Interno Bruto (PIB) recebeu leve aumento de 1,8% para 1,82%.

Nos anos seguintes, os valores foram mantidos: 2027 em 1,8%, e 2028 e 2029 em 2%.

Apesar de uma estimativa mais moderada, sempre existe a possibilidade de os números de PIB surpreenderem, como ocorreram nos dois primeiros anos do governo Lula. O resultado de 2025 será divulgado pelo IBGE no início de março.

Dados do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado na semana anterior, apontam para um crescimento econômico de 2,5% no ano passado. Caso o resultado se confirme, será mais um erro do mercado financeiro, que iniciou 2025 com uma previsão para o PIB de apenas 2,02%.

Quanto ao câmbio, a previsão do mercado, segundo o Focus, reduziu de R$ 5,50 para R$ 5,45 a cotação do dólar neste ano.

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